Igreja no Brasil alerta para situações de violência em Roraima

O sequestro dos missionários da Consolata não foi um acto isolado A Igreja Católica no Brasil lançou um apelo, no passado fim-de-semana, em favor da Diocese de Roraima, alertando para a existência de uma campanha de “calúnias e difamações contra a Igreja”. No início deste mês três missionários foram feitos reféns por um grupo de grandes latifundiários brancos, que se opõem à homologação da lei que estabelece o território de Raposa/Serra do Sol – uma área de 1.651.300 hectares, junto da Venezuela e da Guiana, habitada por cerca de 15 mil índios Macuxi, Wapixana, Ingarikó, Patamona e Taurepang – como reserva indígena. O texto, lido nas celebrações dominicais, contém um apelo do vigário-geral da Diocese de Roraima, Pe. Edson Damian: “rezem pela nossa Igreja perseguida”. “Em função dos últimos acontecimentos denunciamos e repudiamos: a invasão, a destruição e o saque da Missão Surumú; o sequestro e a prisão de três missionários da nossa Igreja; a invasão de prédios públicos; o encerramento de estradas federais e estaduais; a tentativa de invasão da Catedral Cristo Redentor, a ameaça de invasão da sede do Conselho Indígena de Roraima, além de todas as calúnias e difamações contra a Diocese e os direitos dos povos indígenas”, refere o comunicado. A Igreja Católica foi a principal impulsionadora da campanha “Nós Existimos”, uma recolhera de assinaturas num abaixo-assinado entregue ao Governo Federal do Brasil, através da qual se defendeu a homologação da terra indígena Raposa/Serra do Sol, a aprovação do Estatuto dos Povos Indígenas, a punição dos envolvidos no escândalo de corrupção conhecido como “folha dos gafanhotos” e a não-concessão de incentivos fiscais aos latifundiários. “Os missionários e missionárias que estão presentes nas terras indígenas desenvolvem trabalho pastoral de evangelização, apoio à educação e saúde indígena diferenciadas, auto-sustentação das comunidades, formação técnica nas áreas de agro-pecuária e enfermagem, formação de catequistas e outras lideranças, apoio à organização das mulheres e outras actividades que favorecem a liberdade dos povos indígena”, recorda o texto. Desde o dia 23 de Dezembro de 2003, quando o ministro da Justiça brasileiro anunciou a homologação de Raposa/Serra do Sol, vários plantadores de arroz, alguns fazendeiros e indígenas por eles apoiados iniciaram uma escalada de violência, onde a Igreja Católica foi um dos alvos principais. “Estes ataques à Diocese de Roraima são decorrentes do testemunho do evangelho em favor da justiça, da vida e dos direitos dos povos indígenas”, considera a Igreja no Brasil.

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