A Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) alertou para a necessidade de se promover, no país, a defesa da “dignidade da pessoa e da integridade de seus direitos humanos”. O organismo encontra-se reunido em assembleia plenária até amanhã, para debater a realidade do país, que considera “cheia de contradições, mas também cheia de possibilidades”. Entre os últimos acontecimentos de destaque, ganha relevo a vitória do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no referendo revogatório celebrado a 15 de Agosto, cujos resultados foram considerados pela oposição como fraudulentos. “A realização controversa do Referendo Revogatório e das Eleições Regionais, as expressões de repressão cidadã, o constrangimento legal e os episódios patentes de violência impune” são pontos aos que aludiu D. Baltazar Porras, presidente da CEV ao analisar a realidade nacional na abertura da 83ª assembleia do organismo episcopal. Os bispos venezuelanos, que o presidente Chávez tem associado sistematicamente às forças da oposição, condenam “o cultivo de uma dialéctica populista de recepção de dádivas, a instalação do conformismo e a banalização da vida cidadã, antítese da participação, da responsabilidade e do protagonismo”. O presidente da CEV atacou “a politização dos órgãos do poder judiciário, que propicia reinterpretações do sentido próprio do direito e revisões de decisões anteriores”. O representante do Papa no país, D. André Dupuy, falou numa série de acontecimentos “muito preocupantes”, como “as diversas situações de violência, o destino da convivência nacional e a plena vigência dos direitos humanos”.
