Igreja/Educação: Padre Peter Stilwell recebe o grau de Doutor Honoris Causa em Teologia

Título foi atribuído pela Universidade de São José, em Macau

Foto: University of Saint Joseph

Lisboa, 15 dez 2025 (Ecclesia) – O padre Peter Stilwell recebeu o título de Doutor Honoris Causa em Teologia, atribuído pela Universidade de São José (USJ), em Macau.

O título foi atribuído como forma de reconhecimento pelo seu “contributo ao ensino superior católico em Macau e em Portugal e pela sua liderança na comunidade académica”, lê-se numa nota da Universidade Católica Portuguesa (UCP).

A cerimónia decorreu no Auditório Centenário de Fátima, no campus de Ilha Verde, em Macau, no dia 06 de dezembro, com a presença de representantes da universidade, do corpo docente, estudantes e membros da comunidade académica local.

O padre Peter Stilwell, que foi reitor da USJ entre 2012 e 2020, destacou a importância do trabalho coletivo na construção da universidade.

Foto: University of Saint Joseph

“O título é-me concedido pessoalmente, mas vejo-o como reconhecimento da dedicação de muitos e de um trabalho de equipa que, ao longo de oito anos críticos, permitiu consolidar uma instituição sonhada inicialmente pelo bispo Domingos Lam e mais tarde lançada pelos professores João Lourenço e Ruben Cabral – primeiros reitores do Instituto Inter-Universitário de Macau (IIUM), mais tarde Universidade de São José (USJ)”, disse o galardoado.

O mandato do padre Peter Stilwell como terceiro reitor da USJ, de 2012 a 2020, foi marcado “por reformas académicas, desenvolvimento do campus e melhoria da reputação da universidade sob a sua liderança exemplar”, salienta um comunicado da USJ

Para além “deste reconhecimento”, o Peter Stilwell tem uma “longa trajetória na educação superior católica e mantém ligações à Universidade Católica Portuguesa, tendo contribuído para o ensino e para projetos de investigação”, refere a nota da UCP.

A cerimónia foi presidida por D. Stephen Lee Bun Sang, Chanceler da USJ e Bispo da Diocese de Macau, e pelo professor Stephen Morgan, Reitor da USJ.

LFS

Síntese do Discurso do padre Peter Stilwell

Gostaria de aproveitar esta oportunidade para abordar uma questão raramente referida publicamente, mas sobre a qual muitos se interrogam: Por que dedica a Igreja Católica tanto tempo, esforço e recursos à Educação – desde escolas primárias a universidades?

– Por que fundaram os jesuítas, há 432 anos, o Colégio de São Paulo, em Macau, por exemplo, decorridos apenas vinte anos de os portugueses terem sido autorizados a estabelecer-se na península?

– Dado que só 5% dos residentes de Macau são cristãos, e menos ainda católicos, como se explica que a Igreja Católica gere mais de 40% da rede escolar primária e secundária da Região, para além de um Seminário e uma Universidade? Se o objetivo é recrutar membros para a Igreja e formar o seu clero, os resultados têm sido, no mínimo, limitados.

Todavia, a questão não se circunscreve a Macau. A rede da educação católica é mundial, e engloba um número de instituições, em todos os níveis do ensino, que supera largamente o da maioria dos países.

Para encontrarmos uma resposta, recuemos aos primeiros séculos do Cristianismo.

Muito se tem falado, este ano, do Concílio de Niceia. No final de novembro, o Papa Leão e o Patriarca Bartolomeu, com dirigentes de muitas outras denominações cristãs, visitaram as ruínas de uma antiga basílica para comemorar o Primeiro Concílio Ecuménico do Cristianismo. Essa grande assembleia deliberativa decorreu, precisamente há 1700 anos, no belíssimo enquadramento de um palácio imperial, nas margens do Lago Iznik, na atual Turquia.

O Concílio fora convocado pelo imperador para maio do ano 325 da Era Cristã (ou Comum). Constantino acabava de assumir o domínio total do Império Romano – coisa que não acontecia há largas décadas –, e pretendia resolver uma disputa que ameaçava despedaçar o Cristianismo. Tratava-se de formular com precisão teológica a relação de Jesus Cristo com a natureza divina. Outra questão, contudo, que há muito me intriga. Que foi que levou Constantino – na altura, nem sequer cristão batizado – a tentar reunir os bispos de todo o Império, e não só? A controvérsia dividia, por vezes violentamente, as comunidades cristãs na zona oriental do Mediterrâneo. Constantino, no entanto, já tinha enfrentado anteriormente essa questão, mas por carta, aconselhando com autoridade imperial aos cristãos que deixassem para os filósofos o debate dessas minúcias teológicas.

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