Igreja denuncia violência generalizada no norte do Congo

A diocese de Bunia, na República Democrática do Congo, é mais uma vez palco de violências, que há meses atingem grande parte do seu território. Desde o passado dia 12 de Dezembro que homicídios, mutilações, deportações de civis, violações, humilhações de todo tipo, saques e actos de vandalismo e de destruição contra edifícios públicos, como escolas, hospitais, centros de formação, continuam a repetir-se em várias paróquias da diocese. A denúncia foi feita pelos representantes da Igreja de Ituri, província do nordeste da República democrática do Congo, destacando que todas essas acções “causam uma situação catastrófica seja no plano humanitário que no plano da segurança, provocando a fuga de inteiras populações”. Os signatários da nota pedem a todas as autoridades interessadas que trabalhem efectivamente para a reunificação e a pacificação de Ituri. O relatório da Igreja local foi enviado poucas horas depois do ataque contra a missão da ONU no Congo, que matou 11 capacetes-azuis numa emboscada, a poucos quilómetros de Bunia. Desde 1999, a região de Ituri é palco de um conflito que devasta o Congo. A província é rica em recursos minerais e, em particular, em ouro e diamantes. Por esse motivo, em Bunia, ocorrem regularmente violentos conflitos entre grupos armados locais, sustentados elos vizinhos Uganda e Ruanda, principais beneficiários da exploração das matérias-primas congolesas. No verão passado conflitos entre milícias rivais, que dilaceraram a região, provocaram oito mil mortos e 600 mil deslocados. Segundo o Unicef, na primeira semana de fevereiro, cerca de 50 mil pessoas deixaram as suas casas. Na segunda semana, mais 35 mil fizeram o mesmo. Este conflito armado no nordeste do Congo é uma das mais violentos desde a Segunda Guerra Mundial. Em quase seis anos de conflito, cerca de 3,8 milhões de pessoas já foram mortas, sendo a maioria civis e crianças.

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