A igreja de S. Paulo foi o lugar de culto da Arquidiocese de Braga escolhido para a implementação do projecto “Igreja Segura”. A iniciativa vai transformar este templo num exemplo de boas práticas, onde se conciliam a acessibilidade do património e a sua segurança. Esta igreja foi a escolhida pela equipa da Polícia Judiciária que está a coordenar o projecto, em detrimento da igreja de S. Paio (Guimarães) e de S. João Baptista de Cavez (Cabeceiras), os outros dois edifícios propostos pela Arquidiocese de Braga. Na sequência desta selecção, a igreja de S. Paulo recebe no próximo dia 14 a visita das equipas de segurança e conservação e restauro do património móvel e imóvel. Este grupo vai ser responsável pelo projecto de intervenção no templo, que vai incidir na talha e na azulejaria. De fora deste projecto de intervenção deverá ficar a recuperação do órgão de tubos, cujo orçamento se cifra nos 250 mil Euros. O templo já foi alvo de um grande projecto de recuperação, que se centrou sobretudo no pavimento, tecto, capela-mor e iluminação. O director do Gabinete de Actividades Culturais do Instituto de História e Artes Cristãs da Arquidiocese de Braga, cónego José Paulo Abreu, sublinha que a igreja tem uma talha muito rica no altar-mor e nos oito altares, bem como uma azulejaria de qualidade, que já apresenta algumas fendas e brechas. Em seu entender, esta selecção é importante para «fazer com que algumas pessoas percebam a importância da igreja». Por outro lado, é uma maneira de sensibilizar os mecenas para a intervenção que é necessário levar a cabo. «A equipa que vem cá no próximo dia 14 vai fazer o diagnóstico do templo e um relatório com as intervenções que é preciso fazer. Depois, falta sensibilizar os mecenas para as obras», uma vez que o pagamento das contas é da responsabilidade da Igreja bracarense, sublinha o mesmo responsável. O cónego José Paulo Abreu considera que o facto de a igreja de S. Paulo ter sido a eleita vem contribuir para que o centro de Braga possa ter um roteiro histórico que abarque diferentes épocas e estilos, podendo integrar a Sé, o Museu Pio XII, a igreja de Santa Cruz e a Casa dos Coimbras, entre outros edifícios. O projecto “Igreja Segura” visa criar as condições para que o património esteja seguro, mas ao mesmo tempo acessível ao público. «O que se verifica é que há igrejas com espólios riquíssimos, mas que estão encerradas por questões de segurança», lembra o cónego José Paulo Abreu. «Não parece justo que tal património se mantenha inacessível, fechado, atraiçoando-se assim a sua função cultural e evangelizadora. A solução mais equilibrada poderá passar por aqui: devolver o património ao público, mas em segurança», acrescenta o também reitor do Seminário Conciliar de Braga. Este projecto tem, numa primeira vertente, a realização de uma exposição itinerante multimédia, de 21 de Julho a 25 de Setembro, na igreja de S. Paulo. Esta mostra, intitulada “SOS Igreja”, destina-se a sensibilizar o público «para os principais problemas que afectam as igrejas e os bem móveis nelas contidos, apontando soluções, quer em termos de prevenção criminal, quer de conservação preventiva». O segundo eixo, que agora se concretizou, consiste na selecção de uma igreja-piloto que seja um bom exemplo da «fruição do património em segurança ». Posteriormente terá lugar uma terceira fase, com a realização de acções de formação nas áreas da prevenção criminal, conservação preventiva e vigilância em igrejas.