Nasce em Portugal o primeiro Conselho Pastoral de uma capelania hospitalar A Igreja Católica em Portugal encontra-se a projectar o desenvolvimento futuro das Capelanias Hospitalares, à procura de um novo modelo, integrador da diversidade cultural, espiritual e religiosa da Sociedade Portuguesa. Essa nova concepção da presença da Igreja Católica nos hospitais, a “capelania-comunidade”, é materializado, agora, na criação do primeiro conselho pastoral de uma capelania hospitalar, no Hospital de São João, Porto. “Demos um passo em frente, que significa uma renovação do conceito de presença da Igreja no Hospital, um nova expressão da nossa solicitude para com o doente”, refere à Agência ECCLESIA o Pe. José Nuno, capelão do Hospital de São João. Este sacerdote, coordenador nacional das capelanias hospitalares, fala de um processo que transportou essa presença de um modelo assente na figura de um capelão para o conceito de “capelania-comunidade”. “A imagem tradicional, em Portugal, é a de um sacerdote que, isoladamente, cumpre todas as missões e administra os sacramentos – e para pouco mais tem disponibilidade, mas é preciso mudar essa imagem”, constata. Para o Pe. José Nuno, qualquer comunidade eclesial que funcione como expressão de comunhão precisa de um organismo como o conselho pastoral. Este é um órgão, instituído de acordo com o Cân. 536 do Código de Direito Canónico, e é habitualmente destinado a prestar apoio ao Pároco na promoção da acção pastoral. “Assumimos a especificidade de uma comunidade que se insere no meio hospitalar, assumindo modos diversos de liderança e atribuições próprias”, aponta o coordenador nacional das capelanias hospitalares. Nesse sentido, este conselho pastoral está definido nos mesmos moldes anteriormente descritos: a finalidade é reunir vários colaboradores que potenciem uma a animação e participação sempre crescente de todos nas actividades pastorais. O conselho pastoral terá mais de 40 membros: capelães, equipas dos 5 sectores pastorais e 4 observadores, entre os quais um representante do conselho de administração do Hospital e outro do Grupo de Contacto Ecuménico. “Há muito tempo que aqui se começou a participar na missão da capelania, mormente com a presença de leigos das comunidades envolventes. Depois apostou-se no apelo aos profissionais de saúde cristãos, nos voluntários e nos alunos da Faculdade de Medicina, o que tem resultado numa frente de cooperação muito alargada”, lembra. D. Armindo Lopes Coelho vai coroar este processo de muitos anos, quando, no Dia Mundial do Doente, se deslocar ao Hospital de São João para dar posse a este novo e inédito conselho pastoral.
