Igreja Católica nos Açores pede respeito pelo seu trabalho

Em causa está a polémica gerada em torno do Lar de Santa Maria Goretti O Bispo de Angra, D. António Sousa Braga, veio a público defender as irmãs da Congregação do Bom Pastor, responsáveis pelo Lar de Santa Maria Goretti, no caso das suspeitas de maus tratos físicos alegadamente praticados na instituição e denunciados pela RTP/Açores. No passado dia 16 de Julho esta estação televisiva deu início a uma série de reportagens sobre o Lar de Santa Maria Goretti, na Ilha Terceira, com testemunhos de utentes que incriminam publicamente as religiosas que dirigem a Instituição há trinta anos. Para o D. António, “um facto esporádico ou menos feliz, como acontece em qualquer família, não pode pôr em causa a avaliação global de um trabalho que é francamente positivo e benemérito, pelos resultados obtidos, verificáveis pelo grande número de utentes hoje normalmente inseridas na vida familiar e na sociedade.” Em comunicado divulgado a 20 de Julho, D. António reconhece ter conhecimento das queixas e lamentar o sucedido, mas contesta a “amplificação mediática dos problemas reais das Instituições Particulares de Solidariedade Social”, algo que segundo o mesmo “não beneficia ninguém, nem a própria justiça, nem a defesa dos direitos humanos.” No dia 19 de Julho um nota da Secretaria Regional dos Assuntos Sociais dava conta que o processo de transição das utentes para as residências, já equipadas e com pessoal seleccionado, “encontra-se praticamente concluído”. D. António não fugiu ao tema e responde que “como se pode verificar em S. Miguel e no Continente, as irmãs também sabem trabalhar em unidades familiares, como sugere a pedagogia. Só que, neste momento, não têm efectivos para o fazerem na Terceira”. “A Igreja «perita em humanidade» acredita no que faz, com a força humanizante do Evangelho, embora nem sempre seja devidamente apreciada a sua acção social, pejorativamente apelidada de «caridadezinha». A Igreja também preza e cultiva a competência técnica, temperada pelo amor gratuito, para além de todo o funcionalismo”, insiste. Na conclusão da sua intervenção, e criticando um excessivo controlo do Estado, “que por vezes se afigura como intromissão indevida”, o Bispo de Angra refere que “a moral que deve ficar de toda esta história é que as Instituições Particulares de Solidariedade Social, pertencentes ou não à Igreja, não se reduzam a simples réplicas dos serviços públicos, financiadas unicamente pelo erário público. A sociedade civil e a própria Igreja teriam que se mostrar mais activas e criativas, para poderem gerir instituições privadas, de forma suficientemente autónoma.”

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