A Igreja Católica espera que o Encontro Mundial das Comunidades Portuguesas de 2005 seja uma oportunidade para repensar a sua presença junto das mesmas, um pouco por todo o mundo. O “Grande Encontro Mundial das Comunidades”, irá realizar-se na cidade do Porto, de 29 a 31 do próximo ano. Os delegados irão reflectir sobre o tema “Portugueses no mundo”, devido à vigência crescente de fluxos migratórios de saída de Portugal. A comissão organizadora, reunida no início desta semana, tem como prioridade a “convocação de todas as missões portuguesas”, de forma a contar com o maior número possível de delegados. O Pe. Rui Pedro, director da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM), assinala à Agência ECCLESIA que “queremos mobilizar a Igreja portuguesa para um melhor conhecimento dos desafios actuais das comunidades e também levá-la a um novo compromisso”. Este responsável refere que o objectivo é “promover uma reflexão a nível local, fazendo do encontro um momento reflexivo e operativo, com consequências”. “Neste momento há uma grande urgência de encontrar novos caminhos para o modelo pastoral em acto”, acrescentou. Aquando da convocação do encontro foi explicado que as Comunidades no estrangeiro vivem, nos dias de hoje, “rápidas e incertas mudanças”, que exigem uma reflexão nova e aprofundada “quanto ao modelo pastoral de acompanhamento personalizado vigente e a implementar”. Esse modelo passa, nalguns locais, por uma missão católica portuguesa – “missio cum cura animarum” -, noutros por uma paróquia ou uma capelania portuguesa. “Em muitos países está a ser pedido aos nossos missionários que orientem o seu trabalho para uma maior integração na comunidade local”, assinala o Pe. Rui Pedro. Os organizadores do evento estão a promover um breve inquérito para a preparação dos delegados, com o qual se procura saber quais as maiores dificuldades sentidas no seu trabalho pastoral. A partir das respostas pretende-se perceber o que deverá ser feito para uma melhor integração na Igreja de acolhimento e para um melhor acompanhamento espiritual e cultural, a partir das estruturas da Igreja em Portugal. Presença fundamental A OCPM foi convidada para uma audição convocada pela subcomissão parlamentar das comunidades portuguesas sobre o tema “Mecanismos específicos de representação de emigrantes”. De acordo com o Pe. Rui Pedro, a discussão em torno da constitucionalização do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) poderá ser importante para definir o papel e a participação das entidades da sociedade civil. “Sem estar a criar novas formas de representação, patentes no CCP e no círculo eleitoral para a emigração, seria útil pensar num Conselho Consultivo”, disse. Com esta iniciativa, assegura o director da OCPM, “além dos representantes das comunidades portuguesas, estariam presentes outras entidades, como a Igreja, que tem uma das melhores redes de acompanhamento aos emigrantes”. Lamentando que a emigração não seja um tema prioritário para os nossos políticos, este responsável aponta que “há um mundo que continua esquecido, que é o das entidades que em Portugal dão a cara em defesa dos emigrantes”.
