Programa «70×7» assinala Dia Internacional do Desperdício Zero





Lisboa, 28 mar 2025 (Ecclesia) – A quantidade de lixo produzido pela humanidade e a forma de tratar anualmente 2 mil milhões de toneladas de resíduos sólidos estão entre os desafios ambientais mais marcantes da atualidade.
“Nós somos cuidadores, não somos dominadores da natureza, estamos cá para zelar por este jardim que Deus criou”, refere à Agência ECCLESIA frei Silvestre Silva, diretor do Externato da Luz.
Esta escola, que funciona com um projeto pedagógico próximo dos ideais de São Francisco de Assis, trabalha com os alunos a questão ambiental.
O apelo ambiental faz parte do carisma franciscano: há 800 anos, o santo de Assis escreveu o ‘Canto das Criaturas’, que exalta os elementos da natureza como dádiva de Deus.
Clara Soares é professora no Externato da Luz e coordena as turmas de artes visuais.
No oitavo centenário do ‘Cântico das Criaturas’, os alunos construíram projetos ambientais a partir de resíduos e recriaram o poema de São Francisco a partir de materiais reciclados.
Susana Fonseca, vice-presidente da associação ambiental ZERO, mostra à reportagem do Programa ‘70×7’ como, no seu quintal, o lixo orgânico se transforma em fertilizante através de um pequeno compostor.
A responsável admite que os portugueses não são os que produzem mais lixo, mas o seu tratamento está abaixo da média europeia.
“A maior parte dos resíduos vai para aterro ou é queimada o que significa um desaproveitamento de recursos”, afirma.

Susana Fonseca revela um conjunto de estratégias para reduzir os resíduos: beber água da torneira, utilizar sacos de pano reutilizáveis em vez de sacos de plástico ou uma barra de shampoo sólido são gestos que anualmente se traduzem numa significativa poupança de embalagens e emissões de dióxido de carbono.
Evitar resíduos e emissões poluentes é também um desafio para os edifícios, que na Europa são responsáveis por grande parte do desperdício energético, em virtude da má construção e ineficiência dos materiais.
Nuno Fideles, responsável pelo Departamento de Sustentabilidade na Savills Portugal, sublinha a tendência atual de recuperar em vez de destruir, evitando o desperdício de materiais.
A sede desta empresa controla o consumo de água em cada piso e nas casas de banho foram instaladas torneiras com redução de caudal.
“Os nossos veículos são apenas elétricos e híbridos e temos bicicletas elétricas para pequenas deslocações na cidade”, refere este responsável.
A Assembleia Geral das Nações Unidas reconheceu formalmente a importância das iniciativas de lixo zero, em 14 de dezembro de 2022, e proclamou o dia 30 de março como o Dia Internacional do Lixo Zero, observado anualmente desde 2023.
Em 2025, o tema é ‘Resíduos da moda e dos têxteis’, centrando-se no que é apelidado de fast-fashion, o consumo acelerado de roupas que mudam segundo a moda e não pela sua durabilidade.
Na página internet do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente refere-se que entre os anos 2000 e 2015, a produção de roupas duplicou.
Em cada ano, 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis são gerados, o equivalente ao despejo numa lixeira, de um camião carregado de roupa em cada segundo.
A celebração vai estar no centro do programa ‘70×7’ do próximo domingo, na RTP2, a partir das 17h35.
A 4 de outubro de 2023, o Papa publicou a exortação apostólica ‘Laudate Deum’ (Louvai a Deus), sobre o tema da ecologia integral, alertando para a possibilidade de se estar a chegar ao “ponto de rutura” na crise ambiental.
“Este mundo que nos acolhe está a esboroar-se e talvez a aproximar-se dum ponto de rutura. Independentemente desta possibilidade, não há dúvida de que o impacto da mudança climática prejudicará cada vez mais a vida de muitas pessoas e famílias”, escreve Francisco, num texto que deu continuidade à reflexão da encíclica ‘Laudato Si’ (2015).
HM/OC