Bento XVI quis dedicar um momento especial ao diálogo com Cristãos, Judeus e Muçulmanos na sua primeira peregrinação apostólica, por ocasião da XX JMJ em Colónia. Um dos momentos mais significativos acontecerá quando o Papa visitar a Sinagoga de Colónia, no dia 19 de Agosto, um gesto visto como sinal de aproximação aos Judeus num país muito marcado pelo Holocausto. O Papa assegurou, desde o início do Pontificado, a intenção de continuar a linha de acção promovida por João Paulo II, o primeiro Papa a entrar numa Sinagoga (Roma, 1986). Bento XVI terá ainda ocasião para encontrar-se com representantes das Igrejas protestantes e líderes muçulmanos. Apesar da Jornada Mundial da Juventude ser uma iniciativa católica internacional, ela mostra-se aberta ao diálogo com todos, por iniciativa do próprio Papa. Estes gestos não significam, contudo, que se possam esperar “grandes passos” no caminho ecuménico, como têm feito questão de sublinhar vários responsáveis. “Não é previsível que a JMJ possa fazer com que se dêem passos ecuménicos. O Papa não o pode fazer aqui, pelo que são precisos outros níveis, outros procedimentos, mas não há dúvida que a causa ecuménica é uma das suas prioridades”, disse o Cardeal Karl Lehmann, presidente da Conferência Episcopal alemã. O próprio Bento XVI, na primeira entrevista do seu pontificado, fez questão de separar os planos entre a JMJ e o diálogo ecuménico, explicando que este último, como tal, “não está na ordem do dia em Colónia, porque Colónia é substancialmente um encontro entre jovens católicos do mundo inteiro e também com aqueles jovens que não são católicos, mas que querem saber se junto de nós podem encontrar uma resposta às suas perguntas”. A presença do o ecumenismo na JMJ é, nas palavras do Papa, marcada pelo esforço de viver a fé, algo que “representa um impulso para a unidade”. “Penso que esta dimensão do ecumenismo possa estar presente sobretudo nos encontros entre os jovens: os jovens não falam só com o Papa, mas substancialmente encontram-se também entre si”, acrescentou. O Papa lembrou que terá um encontro “com os nossos irmãos evangélicos”, mas que “infelizmente não teremos muito tempo”.
