Celebrações iniciam-se este sábado na Basílica Santa Maria dos Anjos, em Assis (Itália)
Lisboa, 08 jan 2026 (Ecclesia) – Os Franciscanos assinalam ao longo deste ano o aniversário dos 800 anos da morte de São Francisco de Assis que, segundo o frei Hermínio Araújo, da Ordem dos Frades Menores (OFM), se revela uma ocasião para conhecer o santo.
“Eu penso que é uma oportunidade muito significativa desde logo para conhecer mais o próprio São Francisco de Assis. Eu por vezes costumo dizer que cada um tem o seu Francisco. Cada um tem a sua ideia, a sua imagem de São Francisco de Assis”, afirmou o sacerdote franciscano, em entrevista ao Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2.
“Ecologista”, “irmão das Criaturas”, “padroeiro dos animais” são as facetas pelas quais o fundador dos franciscanos é conhecido, lembra o frei Hermínio Araújo, que acrescenta que esta é uma figura “complexa” e “paradoxal”.
São Francisco nasceu na cidade de Assis, em Itália, em 1881, e, apesar de já se terem passado 800 anos desde a sua morte (1226), o entrevistado considera que o santo continua a dialogar com o mundo.
“Eu acho que uma das grandes interpelações ao mundo de hoje é todas as problemáticas relacionadas com a paz. Nós vivemos num mundo cada vez mais polarizado, em que parece que as diferenças se acentuam cada vez mais. Francisco é um homem de reconciliação, é um homem de paz, é um homem de perdão”, salientou.
A abertura das comemorações do oitavo centenário da morte do criador do Cântico das Criaturas realiza-se este sábado, com uma celebração na Basílica de Santa Maria dos Anjos, em Assis, onde estarão os representantes da família franciscana.
O frei Hermínio Araújo dá conta que aspetos significativos do legado espiritual de São Francisco, como a misericórdia, a fraternidade, o trabalho, a paz e a bênção vão estar muito presentes na ocasião.
Segundo o sacerdote franciscano, Itália e Assis, estão a lançar uma série de propostas para celebrar este centenário, estando uma delas relacionada com o património cultural que, assinala, em Portugal é “muito”.
“Os franciscanos vieram para Portugal ainda no tempo em que São Francisco era vivo e foi vivo durante muitos anos. Em 1217 já estávamos cá”, indica o entrevistado, realçando que há muitos elementos para falar a aprofundar.
“É um desafio que está a ser feito a nível internacional e que nós, aqui em Portugal, vamos partir também daí, não só, mas partir muito daí”, referiu.
Ao longo de 2026, a família franciscana vai promover diversas atividades para celebrar a efeméride, nomeadamente o aprofundamento dos escritos relacionados com São Francisco.
“O Cântico das Criaturas é o texto escrito mais conhecido dele, mas ela tem muitos outros textos, há pouco já fazia referência ao testamento espiritual, mas muitos outros que nos ajudam a perceber, de facto, este perfil espiritual do santo de Assis e que muito tem a dizer aos nossos dias”, explicou o frei Hermínio Araújo.
De acordo com o religioso da Ordem dos Frades Menores, é também uma forma de “devolver a Francisco a sua humanidade”.
Entre 22 de fevereiro e 22 de março, os restos mortais do santo vão estar disponíveis para veneração na Basílica de São Francisco em Assis.
O frei Hermínio Araújo destaca que esta é uma oportunidade para rezar e para cada um se deixar interpelar por uma “experiência espiritual”.
O programa de comemorações dos 800 anos da morte de São Francisco de Assis incluem também um percurso de 12 encontros, os primeiros sábados de cada mês, com o título “Francisco tem os seus olhos”, que se realizarão na maioria na
Sob a organização da Província Seráfica dos Frades Menores da Úmbria e Sardenha, a primeira iniciativa aconteceu a 3 de janeiro, na Domus Pacis, na Basílica de Santa Maria dos Anjos, em Assis.
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