Guatemala: Presidente da Conferência Episcopal condena «interesses económicos e ideológicos» por trás da violência dos gangues

D. Rodolfo Valenzuela Núñez pede apoio ao governo no combate à corrupção, após motins nas prisões e o assassinato de dez polícias

Foto: Lusa/EPA

Cidade da Guatemala, 23 jan 2026 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Guatemalteca (CEG) apelou à coesão nacional para enfrentar a vaga de violência que atinge o país, alertando que a criminalidade organizada serve objetivos políticos e financeiros obscuros.

“Os culpados não são apenas os membros das gangues criminosas, mas também os interesses económicos e ideológicos que estão por trás deles”, afirmou D. Rodolfo Valenzuela Núñez, em declarações divulgadas pelo portal ‘Vatican News’.

Após uma semana marcada por motins em três prisões e pelo assassinato de dez agentes da polícia em emboscadas, o bispo de Vera Paz descreveu o clima atual como de “calma tensa”, onde reinam a “cautela e o medo” entre os cidadãos.

O responsável católico explicou que os motins, protagonizados por grupos como o ‘Barrio 18’ e a ‘Mara Salvatrucha’, ocorrem porque “as prisões estão nas mãos da própria criminalidade”, denunciando a existência de “agentes penitenciários corruptos” e de um sistema judicial que não faz cumprir a lei.

Perante o estado de emergência decretado por 30 dias, D. Rodolfo Valenzuela manifestou o apoio da Igreja ao combate à corrupção, apesar de reconhecer limitações no executivo liderado por Bernardo Arévalo de León.

“A Conferência Episcopal considera que o governo tem graves fraquezas, mas que, mesmo assim, deve ser apoiado numa batalha que, desde o início, se sabia que seria desigual e difícil contra as forças políticas e económicas obscuras”, sustentou.

A escalada de violência teve consequências na vida eclesial: na Arquidiocese de Santiago de Guatemala, onde foram encontrados os corpos de três mulheres e dois adolescentes, foi decidida “a suspensão, por motivos de prudência, das celebrações eucarísticas e das reuniões eclesiais noturnas”.

O presidente da CEG alertou para o risco de instabilidade num ano decisivo, marcado por eleições para os magistrados dos tribunais superiores, advertindo que “há interesses espúrios que querem impedir essas mudanças institucionais”.

D. Rodolfo Valenzuela rejeitou “julgamentos sumários” ou “ações arbitrárias”, mas insistiu na necessidade de identificar os “cérebros” por trás dos crimes.

“Nós, bispos, insistimos para que os cristãos, em sintonia com a doutrina da Igreja, atuem nos campos da política e do governo. Infelizmente, a sua ausência, salvo raras exceções, é realmente muito evidente”, lamentou.

OC

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