D. José Pereira, após oito meses na diocese, identificou «alguns desafios», como o de «renovar a fraternidade»

Guarda, 29 nov 2025 (Ecclesia) – O bispo da Guarda convidou a diocese para a apresentação do itinerário pastoral 2025/2026 que vai começar em espírito sinodal e oração, este domingo, início do Ano Litúrgico, a partir das 17h00, na Sé.
“Eu gostaria que este ano, este caminho sinodal, não seja de facto realizar um conjunto de atividades, mas seja imprimir uma forma nova de nos pensarmos e de vivermos”, disse D. José Pereira, em entrevista à Agência ECCLESIA.
O bispo da Guarda explicou que o “espírito sinodal” é continuarem a aplicar o caminho que a Igreja Católica tem vindo a fazer e que “propôs na sequência do documento final da Assembleia do Sínodo dos Bispos”, e recorda que, em 2017, uma assembleia diocesana deixou “alguns desafios de reorganização”, aplicaram sobretudo “a reforma dos arciprestados, ficou por pôr em cima da mesa e dar início à reorganização das paróquias”, para funcionar em unidades pastorais.
“É um bocadinho juntar as duas coisas e fazer que toda a diocese, tanto quanto possível, participe na identificação: quais são os pontos fortes, quais são os pontos frágeis, algumas propostas de transformação e, depois, nas áreas específicas, na área da formação, na área da reorganização pastoral, na área da vivência e da comunhão, na área da evangelização, na área da espiritualidade e liturgia e na área da caridade e do serviço”, desenvolveu.
“Que seja, em primeiro lugar, irmos entrando no método da escuta, no método da conversação no espírito, na forma de participarmos naquilo que gera a produção de decisões e a tomada de decisões. Segundo, que se fosse ganhando também a sensibilidade de que o cuidado pastoral das futuras unidades pastorais não se trata de juntar dois padres para ficarem com 20 paróquias, trata-se de construir equipas pastorais, diáconos, consagrados e consagradas, leigos e leigas, que assumam também o cuidado pastoral.”
Nesta sessão diocesana para além do itinerário pastoral 2025/2026, será apresentado o guião que serve de orientação aos grupos sinodais para a realização dos encontros, com auxílio da metodologia “conversações no Espírito!”

A Diocese da Guarda propõe que se formem grupos locais que vão identificando, conversando, escutando “o que é que o Espírito sugere”, entre dezembro e fevereiro”, e enviem à Comissão Sinodal Diocesana, que foi reativada e aumentada, durante o mês de março
Estes contributos vão construir “um pequeno instrumento de trabalho”, que dará lugar a duas Assembleias Diocesanas, em abril e maio, onde vão identificar “as grandes linhas de força para os próximos anos”.
No mês de maio de 2026, vão realizar também a primeira edição do ‘ADRO – Assembleia Diocesana “Reunir e Ouvir”’, que o bispo diocesano “gostaria que fosse anual”, e que vai juntar “as pessoas de dentro da vida da Igreja, mas outras instâncias, desde autarquias, instituições culturais, comunicação social, outras comunidades religiosas”, a biblioteca municipal, a Universidade da Beira Interior (UBI), o IPG – Instituto Politécnico da Guarda).
“Percebo que aqui na diocese há uma relação não só de cordialidade, mas até de interesse, muitas vezes, em que a Igreja esteja presente nas realidades sociais e que traga também a sua visão e o seu ponto de vista. E a Igreja também tem interesse em ouvir como é que pessoas, as instituições, têm a dizer no sentido do serviço pode prestar nesta zona” desenvolveu.
D. José Pereira acrescentou que vão trabalhar “o resultado dessas Assembleias Sinodais no verão” para, em setembro, realizarem uma “assembleia diocesana final, com o lançamento da eleição das prioridades para os próximos anos”, e assinalou que “a Igreja não é monolítica, funciona com diferentes velocidades, com diferentes ritmos”.
Para quem não conseguir participar nos grupos sinodais há oportunidade de integrarem um grupo de reflexão online, “porque não têm pertença imediata, ou porque os seus ritmos não permitem juntarem-se”, mas funcionem “do mesmo estilo”, “com um facilitador, um relator para chegar a síntese, uma iniciativa do Secretariado da Coordenação Pastoral apoiada pelo bispo diocesano.
“É pedido que os padres, à partida, podendo estar, porque às vezes se o padre não estiver as pessoas em algumas zonas não se motivam tanto, não seja ele o facilitador, que os facilitadores sejam diáconos, movimentos religiosos, leigos, leigas, que possam assumir essa missão”, explicou D. José Pereira.
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