«Somos pessoas, não propriedade», diz responsável da Igreja Luterana
Nuuk, 14 jan 2026 (Ecclesia) – Os responsáveis pelas comunidades católica e luterana da Gronelândia contestaram hoje as intenções de anexação do território por parte dos Estados Unidos da América, reivindicando o estatuto de comunidade humana contra a visão de propriedade territorial.
“Somos pessoas, não propriedade. A Gronelândia não é uma terra para comprar. É a nossa casa e não está à venda”, declarou Paneeraq Siegstad Munk, bispa da Igreja Evangélica Luterana, numa declaração divulgada pelo Conselho Mundial de Igrejas.
A responsável religiosa classificou a defesa do território como uma questão de direitos humanos e de respeito pelos tratados internacionais, sublinhando que a população possui uma língua, uma cultura e antepassados ligados àquele lugar.
Também o padre Tomaž Majcen, pároco católico de Nuuk, manifestou apreensão perante a possibilidade de a ilha ser tratada como um mero recurso geopolítico, preferindo valorizar a dimensão humana dos habitantes.
“Preocupa-me o facto de a nossa casa poder ser considerada um pedaço de terra em vez de uma comunidade de pessoas com famílias, tradições e fé”, assinalou o sacerdote, em declarações ao portal ‘Vatican News’.
A comunidade católica local, minoritária, alinhou com os apelos à calma e à dignidade, rejeitando declarações políticas consideradas “bruscas”.
“Como sacerdote, acredito que a paz e o diálogo são mais importantes do que os conflitos para obter terra ou recursos”, acrescentou o padre Tomaž Majcen.
Quase 90% dos 57 milhabitantes da Gronelândia são da etnia inuíte gronelandesa e mais de 95% da população pertence à Igreja nacional dinamarquesa, conhecida como Igreja Evangélica Luterana da Dinamarca.
O presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump disse que gostaria de fazer um acordo para adquirir a Gronelândia, uma região semiautónoma da Dinamarca, para evitar que a Rússia ou a China a tomem.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que uma tomada americana da Gronelândia marcaria o fim da NATO.
OC
