Organismo católico defende que decisões que afetam o território devem «ser guiadas pela participação significativa, pelo diálogo e pela primazia do bem comum»
Copeganha, Dinamarca, 20 jan 2026 (Ecclesia) – A copresidência da Comissão Justiça e Paz Europa emitiu hoje uma declaração a solidarizar-se com a Gronelândia, apelando ao respeito e proteção do povo, na sequência das intenções de anexação do território por parte dos Estados Unidos da América.
“Expressamos a nossa profunda solidariedade com o povo da Gronelândia num momento marcado pelas alterações climáticas e por crescentes interesses geopolíticos e desafios sociais”, referiram Antoine Hérouard e Maria Hammershoy, coopresidentes do organismo europeu, na mensagem enviada à Agência ECCLESIA.
Os responsáveis destacam que a “Gronelândia não é apenas um território estratégico, mas a pátria de um povo com uma cultura e uma língua distintas e uma profunda relação com a sua terra e com a Criação, que deve ser respeitada e protegida”.
“Enraizados na doutrina social católica, afirmamos que todos os povos possuem uma dignidade inerente e o direito de moldar o seu futuro com liberdade e responsabilidade”, salientam.
A ‘Justiça e Paz Europa’ defende que “o desenvolvimento autêntico deve ser integral, respeitando a identidade cultural, a coesão social, o cuidado da Criação e os direitos das gerações presentes e futuras”.
As decisões que afetam a Gronelândia devem, portanto, ser guiadas pela participação significativa, pelo diálogo e pela primazia do bem comum”, enfatiza.
Na declaração intitulada “Justiça, Paz e Dignidade Humana para a Gronelândia e o seu Povo”, os responsáveis evocam o Papa Leão XIV que, na mensagem para o Dia Mundial da Paz 2026, lembra que a paz de Cristo é “desarmada e desarmante” – “uma paz que rejeita a dominação e o medo e, em vez disso, promove a confiança, o diálogo e o respeito pela dignidade humana”.
Antoine Hérouard e Maria Hammershoy associam-se ainda à comissão dinamarquesa Justiça e a Paz, bem como à bispa Paneeraq Siegstad Munk, dirigente da Igreja Evangélica Luterana da Gronelândia, e ao Conselho Mundial de Igrejas nos seus apelos ao respeito pelos direitos inalienáveis do povo da Gronelândia.
“Unidos em oração com os bispos luteranos do Reino da Dinamarca, mantemos a oração pela paz e pelo respeito entre as nações, com base no direito internacional e na solidariedade”, pode ler-se.
Concluindo a declaração, a “‘Justiça e Paz Europa’ apela a todos os agentes de boa vontade para que se unam ao povo da Gronelândia, protejam a sua dignidade, salvaguardem a Criação e promovam caminhos pacíficos e justos para um futuro marcado pela esperança, segurança e harmonia”.
O presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, disse que gostaria de fazer um acordo para adquirir a Gronelândia, uma região semiautónoma da Dinamarca, para evitar que a Rússia ou a China a tomem.
A ‘Justice & Peace Europe’ (Conferência das Comissões Europeias de Justiça e Paz) é a rede que reúne 31 Comissões Nacionais de Justiça e Paz da Igreja Católica no continente europeu, incluindo Portugal.
LJ/PR
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