Bispo diocesano solidarizou-se com povos que vivem em zonas de conflito, na Missa de Ação de Graças e ‘Te Deum’ por 2025

Funchal, Madeira, 01 jan 2026 (Ecclesia) – O bispo do Funchal lembrou, esta quarta-feira, a guerra em diversas geografias do mundo e agradeceu o dom da paz, na Missa de Ação de Graças pelo final do ano e o ‘Te Deum’, na Sé da cidade, na Madeira.
“A guerra, qualquer que ela seja, constitui sempre uma derrota da humanidade e uma vergonha para todos. Por isso, agradecemos a Deus o dom da paz e comprometemo-nos a fazê-lo expandir, a semeá-lo à nossa volta”, afirmou D. Nuno Brás, na homilia, citada pelo ‘Jornal da Madeira’.
No último dia de 2025, o bispo diocesano destacou que a capacidade de “apreciar plenamente” a bênção que é viver num país, região e família onde reina a paz acontece apenas quando os seres humanos são confrontados com o “drama da guerra”.
“Longe de impedir o progresso, a paz é antes a sua condição. A guerra pode trazer consigo a descoberta de novos modos de subjugar o próximo, de o eliminar de um modo porventura mais refinado. Mas jamais trará consigo o progresso humano”, referiu.
D. Nuno Brás solidarizou-se com todas as populações que vivem em zonas de conflito, nomeando o “povo da Ucrânia” e o “povo russo”, “o povo da Nigéria e de Moçambique, onde os cristãos são perseguidos violentamente”.
O bispo evocou também “o povo da Guiné Bissau, incapaz de encontrar estabilidade governativa”, bem como “o povo da Venezuela”, além de “tantos outros povos que passaram este Natal ao som ruidoso das armas”.

Além da paz, D. Nuno Brás centrou a sua reflexão em mais duas outras bênçãos que Deus se propõe a oferecer, sendo uma delas a proteção, que “não significa imunidade às dificuldades ou sofrimentos” que surjam, uma vez que estes são fruto condição de seres humanos enquanto “criaturas, limitados, finitos”.
“Mas a bênção do Senhor faz-nos viver todos esses momentos de forma diferente. Sabemos que Ele está connosco, ao nosso lado; sabemos que nada do que nos possa suceder deixa de ter sentido; a proteção divina ajuda-nos a retirar o bem e a salvação, mesmo daquilo que, à primeira vista, possa parecer uma derrota”, salientou.
Segundo o bispo do Funchal, esta bênção convida igualmente todos a cuidar, proteger o próximo, “em particular aqueles mais abandonados e desprotegidos — mesmo aqueles que, por qualquer motivo, recusam as ofertas institucionais que estão ao seu dispor”.
Proteger o próximo não significa substituir-nos a ele, com um paternalismo que lhe possa até ser prejudicial. Mas significa uma preocupação e uma atenção, uma disponibilidade para com todos quantos nos rodeiam”, indicou.
Na Missa, concelebrada com vários sacerdotes e com o bispo auxiliar de Braga D. Nélio Pita, o bispo do Funchal abordou ainda o “favor” como bênção que, segundo explicou, significa poder tomar as decisões da liberdade de cada um “não à luz da moda ou do que parece bem aos homens, mas à luz de Deus, dos seus sentimentos e da lógica divina”.

“Significa caminhar, progredir, ser mais, adquirir uma outra lógica de vida para além do simplesmente humano que nos limita. Significa ter como horizonte de vida a Presença de Deus e o seu amor infinito”, acrescentou.
Assinalando que, mais do que nunca, o mundo contemporâneo procura colocar fronteiras à lógica da Igreja Católica e aos critérios pelos quais se conduz, D. Nuno Brás evidenciou que “ter a bênção do favor divino” significa “ter a coragem de ultrapassar e mesmo enfrentar” essa realidade que “a moda” propõe, “em favor de um pensar, sentir e viver na presença de Deus”.
“Mas o favor divino significa, igualmente, a missão de sermos presença de Deus, portadores da sua luz para quantos nos rodeiam. Significa a coragem de tornar Deus presente à nossa volta; significa, com humildade mas ousadia, ajudar outros a viverem também eles na presença divina. E significa sermos capazes de perdoar a quantos nos ofenderam, a quantos discordaram de nós, a quantos se nos opuseram”, evidenciou.
Segundo informa o Jornal da Madeira, a celebração, que decorreu durante a tarde, contou com a presença de diocesanos, sacerdotes, seminaristas e representantes das principais autoridades civis e militares da Região, tendo sido solenizada pelo Coro de Câmara e Orquestra de Clássica da Madeira.
LJ
