Fátima/Mau tempo: Santuário apoia vítimas dos temporais, assumindo «responsabilidade social» perante a tragédia

Instituição fecha 2025 com saldo positivo, mas enfrenta prejuízos superiores a 2 milhões provocados pela tempestade Kristin

Foto: Lusa

Fátima, 05 fev 2026 (Ecclesia) O reitor do Santuário de Fátima disse hoje que a instituição está a canalizar bens para as vítimas da tempestade Kristin, assumindo a sua “responsabilidade social” num momento de drama para a região.

“Tivemos grandes prejuízos, mas não podíamos ficar indiferentes ao drama vivido por tantas pessoas à nossa volta”, disse o padre Carlos Cabecinhas, no 47.º Encontro de Hoteleiros, que decorreu na Cova da Iria.

Na sessão de apresentação da síntese económico-financeira de 2025, o responsável insistiu que a prioridade é “não ficar indiferente” ao sofrimento das populações.

“Apesar dos prejuízos, o Santuário de Fátima está, desde a primeira hora, empenhado na ajuda aos mais afetados. Estamos a assegurar alojamento a mais de uma centena de agentes da proteção civil, especialmente bombeiros vindos de várias partes de Portugal”, recordou.

O reitor adiantou ainda que, em articulação com a Cáritas Diocesana de Leiria, o Santuário está a “dar ajuda imediata com doação de alimentos não perecíveis e de cobertores”, encaminhando também as ofertas de terceiros para as instituições que estão no terreno.

Antes da apresentação de contas, o padre Carlos Cabecinhas presidiu à Missa e dirigiu uma saudação inicial, evocando “todas as pessoas que sofrem, concretamente, por verem destruídas as suas casas, por verem destruídas muitas vezes as suas empresas e ganha-pão, por se verem em graves dificuldades”.

O sacerdote lembrou que a catástrofe tocou também a “família” do Santuário, pedindo orações pelos “colaboradores que se viram privados dos seus bens e das suas condições de vida”.

Já na homilia, o padre Carlos Cabecinhas pediu orações por aqueles que, nestes dias, “vivem situações dramáticas e de sofrimento”.

“Acreditamos que a oração é uma força muito grande, que não resolve tudo nem nos dispensa de outros trabalhos e responsabilidades, mas também nos compromete na solidariedade com aqueles que sofrem ao nosso lado”, acrescentou.

Desde a semana passada, 11 pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados, além de elevados danos materiais.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

O encontro serviu também para fazer o balanço dos estragos que a tempestade da última semana deixou no Recinto de Oração, zonas envolventes e dos Valinhos.

A passagem da depressão Kristin provocou a “perda irreparável de mais de 500 árvores”, um prejuízo ambiental e financeiro superior a 2 milhões de euros, a que se somam 200 mil euros em danos no edificado, particularmente no telhado da Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

“A replantação e renovação desse património arbóreo representa um desafio que demorará décadas a alcançar, com um impacto imediato na alteração do ambiente do Santuário de Fátima tal qual o conhecíamos”, declarou o padre Carlos Cabecinhas.

Apesar deste revés no início de 2026, os dados provisórios relativos a 2025, hoje apresentadas, revelam uma situação financeira estável.

O Santuário registou um saldo positivo de cerca de 2,2 milhões de euros, resultante de 24,88 milhões em rendimentos e 22,69 milhões em gastos.

Os dados mostram um ligeiro crescimento das receitas em comparação com 2024, ano em que os rendimentos se fixaram nos 24,46 milhões de euros, acompanhando a tendência de aumento do número de peregrinos na Cova da Iria.

Do lado da despesa, a instituição contabilizou gastos globais de 22,69 milhões de euros, o que representa um aumento face aos 21,79 milhões registados no exercício anterior.

A análise às rubricas de gastos evidencia um esforço maior com os recursos humanos, tendo os encargos com pessoal subido para 7,55 milhões de euros, comparativamente aos 7,12 milhões de 2024.

“O aumento dos gastos com pessoal teve a ver não tanto com o aumento dos colaboradores contratados, mas sim com o aumento do salário mínimo nacional e a necessidade de adequação, em cascata, dos restantes vencimentos, e com as atualizações salariais”, indicou o padre Carlos Cabecinhas.

Também a verba destinada a fornecimentos e serviços externos registou um acréscimo, passando de 3,84 milhões de euros para 4,26 milhões em 2025.

Estes fornecimentos e serviços externos incluem “trabalhos especializados, trabalhos de conservação e reparação, gastos com gás e eletricidade, consumo de água, vigilância e segurança”, precisou o reitor,

Em sentido inverso, a rubrica referente a depreciações e amortizações apresentou uma descida, situando-se nos 3,97 milhões de euros, abaixo dos 4,37 milhões do ano precedente.

O último ficou ainda marcado pelo aumento do número de peregrinos, com cerca de 6,5 milhões de fiéis a participarem nas celebrações, superando os registos de 2019.

OC

D. José Ornelas, bispo de Leiria-Fátima, encerrou a sessão com um elogio à “vaga da solidariedade” com as vítimas da tempestade na região, em particular à “multidão de voluntários”, instituições públicas e da Igreja Católica.

“O Santuário não poderia ficar longe de tudo isto”, assinalou o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, destacando a ajuda que tem dado “desde o primeiro momento”, em articulação com a Cáritas Diocesana.

O responsável recordou que estão a ser servidas mais de mil refeições, em média, no Seminário de Leiria, a fuincionar como centro de apoio e acolhimento aos profissionais no terreno.

 

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