Famílias Portuguesas: entre a crise e a esperança

Menos filhos, menos casamentos e uma população envelhecida são alguns dos dados conhecidos por ocasião do Dia Internacional da Família. A Coordenadora Nacional para os Assuntos da Família diz que é urgente «cuidar da família» Portugal viu aumentar o número de famílias residentes nos últimos anos, mas as famílias portuguesas estão mais pequenas, com menos filhos, menos casamentos e mais divórcios. A média de pessoas por família baixou, nos últimos anos, de 3,1 para 2,8 pessoas. Estes dados fazem parte da “breve caracterização estatística da família portuguesa” que o Instituto Nacional de Estatística (INE) apresenta por ocaisão Dia Internacional da Família, que amanhã se celebra, e o X aniversário do Ano Internacional da Família instituído pela ONU em 1994. Para Margarida Neto, Coordenadora Nacional para os Assuntos da Família, “apesar dos indicadores serem muitos negativos em relação à família, e justamente por isso, ela é cada vez mais o núcleo que responde às inquietações que a sociedade nos coloca hoje”. “A sociedade à nossa volta tem de se organizar em torno da família e não o contrário”, refere à Agência ECCLESIA. O INE apresenta ainda alterações nos padrões de nupcialidade, divorcialidade e da fecundidade, bem como o aumento da esperança de vida, com o consequente envelhecimento da população portuguesa. A taxa de nupcialidade diminuiu de 7,2 casamentos por mil habitantes em 1991 para 5,7 em 2001 (5,4 em 2002). Paralelamente assistiu-se ao aumento da taxa de divorcialidade, cujo valor passou de 1,1 divórcios por mil habitantes em 1991 para 1,8 em 2001 (2,7 em 2002). Para além da redução do número de casamentos assistiu-se, no mesmo período, ao retardar da idade ao primeiro casamento (legal), alterando-se de 26,3 anos nos homens e de 24,4 anos nas mulheres, em 1991, para os 27,8 anos e 26,1 anos, respectivamente, em 2001 (28,0 e 26,4, respectivamente, em 2002). “A sociedade também não ajuda: ao núcleo estável de pai, mãe e filhos chamamos família tradicional, com um teor pejorativo”, acusa Margarida Neto, para quem a família biparental continua a ser que dá melhores garantias para a criação e educação dos filhos. Outro dado significativo tem a ver com o aumento da proporção de casais sem filhos, que passou de 29,1% para 43% do total. A esta percentagem é preciso acrescentar que as mulheres têm menos filhos e mais ta rde: o Índice Sintético de Fecundidade baixou de 1,6 crianças por mulher para 1,5 entre 1991 e 2001 (valor que se manteve em 2002), ano em que a idade média ao nascimento do primeiro filho foi de 26,8 anos (27,0 em 2002), quando em 1991 era 24,9 anos. A situação agrava-se quando se percebe que entre 1991 e 2001, o Índice de Envelhecimento aumentou de cerca de 68 para cerca de 102 idosos por cada 100 jovens (106 em 2002). A redução da dimensão média da família em Portugal é assim explicada pelo decréscimo das famílias mais numerosas, a par com o crescimento particularmente acentuado do número de famílias unipessoais. Para Margarida Neto, “mais do que nunca temos de cuidar da família, o núcleo, a unidade onde a vida nasce, cresce, e se desenvolve”. Celebrando a Família A situação de crise foi abordada pelos Bispos portugueses na sua última assembleia geral. A CEP aprovou já, na generalidade, o documento “A Família, esperança da Igreja e do mundo”, que não esconde as preocupações da Igreja, nomeadamente quanto à situação das famílias na actual sociedade portuguesa. As dioceses portuguesas vão assinalar o Dia Internacional da Família com várias iniciativas que pretendem envolver os católicos das igrejas locais. O destque vai para a presença, em Setúbal, da Coordenadora Nacional para os Assuntos da Família, que irá falar no colóquio “100 medidas a favor da família”, promovido pelos secretariados da família e a Cáritas. O encontro tem como referência os “100 Compromissos para uma Política da Família”, iniciativa apresentada pelo Primeiro-Ministro na sessão comemorativa do X Aniversário do Ano Internacional da Família, a 22 de Março, no Teatro Nacional Dona Maria II, em Lisboa. A arquidiocese de Braga celebra amanhã as Jornadas de Pastoral Familiar, contando com as conferências “Liberdade e responsabilidade” por Marcelo Rebelo de Sousa e “Os Media nossos amigos” pelo Pe. João Aguiar. Para o dia seguinte, 16 de Maio, as famílias são convidadas a participar no Dia Diocesano da Família, no Sameiro. Em Aveiro, é o próprio D. António Marcelino a pedir à igreja local que se mobilize para celebrar o dia diocesano da família, no dia 16 de Maio. O prelado justifica esse pedido com a situação actual das famílias, “cada vez mais frágeis e sujeitas a muitas influências que em nada as beneficiam”. O tema desta iniciativa será “Família: acolhedora da vida, dom de Deus e bem da humanidade”. A nível nacional, a Coordenação Nacional para os Assuntos da Família (CNAFA) promove de 15 a 22 de Maio a “Semana da Família”, envolvendo Governos Civis, Autarquias e várias organizações da sociedade civil. Foi lançada também a Campanha “Um Município para a Família” à qual várias autarquias têm respondido; também haverá um Concerto, pela Orquestra da Câmara de Cascais e Oeiras, no Fórum Lisboa, e para o qual serão convidados os membros do Governo e vários colaboradores e entidades. Margarida Neto deseja que amanhã, “em qualquer ponto do país, as família se reunam e se divirtam, gostem de estar juntas”. Para comemorar este dia especial das Famílias foi ainda lançado um Postal comemorativo – campanha de 3 a 16 de Maio pelos postos de distribuição Postalfree – com mensagem escolhida pela Coordenadora Nacional. O texto é de Vergílio Ferreira: “toda a gente admira um grande artista e ergue-lhe mesmo, às vezes, um monumento a confirmar, mas nunca ergueu um monumento a um homem e uma mulher por terem gerado um filho, que é obra infinitamente maior”. Ver também • Mensagem do Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, por ocasião do Dia Internacional das Famílias

Partilhar:
Scroll to Top