Famílias de leste recordam tradições natalícias

Este fim de semana celebra-se o Natal dos católicos de rito bizantino “Uma festa da família que dura três dias” – foi assim que o Pe. Ivan Hudz definiu a celebração de Natal dos católicos de rito bizantino. Este sacerdote ucraniano disse à Agência ECCLESIA que as famílias de leste fazem, na noite do dia 6 de Janeiro, “a santa ceia”. Para estes católicos, a festa do nascimento celebra-se dia 7 de Janeiro. No dia seguinte (8 de Janeiro) celebra-se a Sagrada Família e dia 9 de Janeiro a festa do primeiro mártir (S. Estevão). A trabalhar nas dioceses alentejanas de Évora e Beja, o Pe. Ivan Hudz realça que terá duas celebrações no dia 7 deste mês: na Igreja de S. Francisco, em Évora, e na Igreja do Carmo, em Beja. D. Amândio Tomás, bispo auxiliar de Évora, estará presente na Igreja de S. Francisco, e o bispo de Beja, D. António Vitalino, na Igreja do Carmo. Na quadra natalícia “recordamos as nossas tradições”. E lamenta: “só nos falta a neve”. Na noite de 6 de Janeiro, as famílias de leste preparam “doze comidas diferentes que significam os dozes discípulos. Estas refeições não têm gordura” – sublinha o Pe. Ivan Hudz. Os amigos são convidados para o banquete “tal como Jesus fez na última ceia”. E acrescenta: “É uma noite especial e de jejum”. Longe da terra que os viu nascer, estes imigrantes de leste colocam nas mesas os pratos tradicionais dos seus países. “O trigo cozido com mel; peixe cozido e grelhado; muitos vegetais e os cogumelos não podem faltar” – disse. E adianta: “para nós o trigo simboliza a vida humana e o mel a vida eterna”. Este ano, as celebrações natalícias ocorrem ao fim de semana. “Uma vantagem porque facilita a ida dos nossos irmãos á Eucaristia”. Este ano “esperamos mais imigrantes nas festas” – referiu este sacerdote ucraniano. Dos cinco mil imigrantes a trabalhar na região alentejana, o Pe. Ivan Hudz espera cerca de dois mil nas celebrações. Num Domingo normal “tenho cerca de 800 pessoas” – afirma. A distância é grande e como trabalham “têm de pedir ao patrão para ir à missa”. A trabalhar na agricultura, especialmente em quintas, e também na construção civil estes homens de leste “consideram-se cristãos, tal como os portugueses, mas não praticantes”. As mulheres trabalham em fábricas e nos serviços domésticos. O futuro “a Deus pertence” mas “muitos pensam ficar em Portugal”. A política mundial “não está fácil” e “eles acompanham os problemas entre os russos e ucranianos” – revela. Quando chegaram queriam “ganhar algum dinheiro e depois voltarem para os seus países de origem” mas alguns “mudaram de ideias”. Fez-se um caminho de adaptação e os filhos “estão cada vez mais inseridos” – avança. De acordo com o calendário Juliano (ver peça explicativa), ainda usado na Rússia e em outros países do Leste europeu, o dia 6 de Janeiro volta a ser véspera de Natal. Para muitos cristãos ortodoxos e católicos de rito oriental, só a 7 de Janeiro se assinala o dia do nascimento de Jesus Cristo. A realidade, a que os portugueses já se vão habituando, surge com a vaga de imigração registada no nosso país durante os últimos anos. Além dos ucranianos, a maior comunidade imigrante de Leste, há ainda russos, arménios, georgianos, romenos, búlgaros e várias outras nacionalidades num total próximo das 200 mil pessoas que lutam para manter vivas as suas tradições. Esta nova realidade faz com que aumente também o número de lugares com celebrações litúrgicas de rito bizantino. Calendário Juliano É um calendário solar criado em 45 a.C. pelo imperador romano Júlio César para trazer os meses romanos ao seu lugar habitual em relação às estações do ano, confusão gerada pela adopção de um calendário de inspiração lunissolar. César impõe 12 meses com duração predeterminada e a adopção de um ano bissexto a cada 4 anos. No ano da mudança, para fazer a concordância entre o ano civil e o ano solar, ele inclui no calendário mais dois meses de 33 e 34 dias, respectivamente, entre Novembro e Dezembro, além do 13º mês, o mercedonius, de 23 dias. O ano fica com 445 dias distribuídos em 15 meses e é chamado “o ano da confusão.” Esse calendário, que tem um desfasamento de 13 dias em relação ao nosso, começa a ser substituído pelo calendário gregoriano a partir do século XVI – a Rússia e a Grécia só fazem a mudança no século XX.

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