Também para o Cardeal-Patriarca é necessário cultivar « o princípio da colaboração entre a Igreja e o Estado» O Reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), Manuel Braga da Cruz, denunciou ontem, durante a tomada de posse para um novo mandato, a falta de apoios por parte do Estado. “Retiraram-nos apoios financeiros, tentaram dividir-nos geograficamente, quiseram eliminar a nossa liberdade e autonomia, pretenderam impedir-nos de prosseguir com algumas actividades, como aconteceu com o prestigiado centro de sondagens, passamos a ser o país da Europa onde o Estado menos apoia as universidades católicas, de acordo com um estudo recentemente elaborado pela Federação Europeia das Universidades Católicas. E tudo isto, apesar de ninguém ser capaz de negar os relevantes serviços prestados ao país, a excelência do ensino que praticamos”, declarou Braga da Cruz. O Reitor da UCP disse ainda que o Governo tem de corrigir a forma como o ensino não-estatal está a ser tratado. “Que aos nossos alunos sejam dadas condições de paridade com os das demais universidades, deixando de ser penalizados por optarem pelo ensino católico e discriminados pelo facto de exercerem a liberdade de aprender que a Constituição lhes reconhece”, pediu. Colaboração A tomada de posse foi presidida pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, o qual lembrou a especificidade da UCP. O Cardeal, Magno Chanceler da UCP, lembrou que a comunicação social tem sublinhado o facto de, na nova Concordata, se fazer uma referência explícita à Universidade Católica. Para D. José Policarpo, contudo, “mais importante do que essa alusão, é o princípio da colaboração entre a Igreja e o Estado, em prol da construção de uma sociedade cada vez mais consentânea com as profundas aspirações do povo português”. Falando numa nova atitude cultural, que classificou como “promissora para o futuro da nossa sociedade”, o Cardeal-Patriarca acentuou que “nem a Igreja precisa de renunciar à especificidade da sua visão do Homem e da sociedade para colaborar com o Estado e forças sociais, nem o Estado precisa de renunciar à sua laicidade para apoiar positivamente os contributos da Igreja para a edificação de uma sociedade melhor”. “Uma Universidade Católica é o espaço privilegiado para esta cooperação, para a edificação de uma sociedade melhor. Compete-lhe formar aqueles e aquelas que serão interventores decisivos no futuro da sociedade”, acrescentou. Neste sentido, o Magno Chanceler da UCP acentuou a missão específica da Universidade dentro do contexto da Igreja Católica, apontando que “sem excluir o anúncio explícito da fé, verdadeiro fundamento de toda a cultura cristã, deve ser comunicado a todos o pensamento social da Igreja, o seu vasto ensinamento sobre o homem e a sociedade; e todos deveriam ser iniciados, através da Filosofia, na arte de pensar, discernir e julgar”. “Não vos escondo a minha preocupação pela relativização do papel da atitude filosófica como fundamento do discernimento crítico, importante para todos os saberes”, sublinhou. Falando directamente para Braga da Cruz, o Cardeal-Patriarca quis reiterar “a minha confiança pessoal, que exprime também a da Conferência Episcopal Portuguesa”. Propostas Braga da Cruz foi reconduzido para um segundo mandato de mais quatro anos à frente da Universidade Católica. A equipa reitoral terá como vice-reitores Maria Luísa Momem Leal de Faria Geraldes Barba, professora associada com agregação da Faculdade de Ciências Humanas, o João Duarte Lourenço, professor associado da Faculdade de Teologia, e Fernando Manuel Ribeiro Branco, professor associado da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais. No passado fim-de-semana, em entrevista ao Público e à Rádio Renascença, para o programa “Diga Lá Excelência”, o Reitor lamentou que o Estado não invista mais na Católica. Braga da Cruz lembra que, num estudo feito sobre as várias escolas superiores de cariz católico na Europa, a UCP é a que tem menor investimento público. Na Bélgica, Holanda, Polónia e Hungria, as universidades católicas são tratadas como instituições públicas. Para o Reitor da UCP, o Estado deveria apoiar a instituição através de contratos-programa, protocolos assinados quando em determinadas regiões não há oferta de ensino superior público, mas existem cursos promovidos pelos privados; ou mediante o apoio directo aos alunos, através do cheque-ensino. Braga da Cruz considera injusto que as famílias que optam pelo ensino privado sejam obrigadas a pagar duplamente, através das propinas e enquanto contribuintes, e propõe ainda que o Estado apoie os melhores alunos mediante bolsas de mérito. Notícias relacionadas • Discurso do Cardeal-Patriarca na Tomada de Posse dos Reitor e Vice-Reitores da UCP
