Évora: Diretor do Instituto Superior de Teologia alerta para «perigo ideológico» da inteligência artificial e defende valorização da «corporeidade»

Padre Manuel António do Rosário destaca coincidência dos 50 anos da instituição com a Capital Europeia da Cultura em 2027 e o desafio de ser um «microcosmo» com alunos de várias nacionalidades

Foto: Agência ECCLESIA/OC

Albufeira, 22 jan 2026 (Ecclesia) – O diretor do Instituto Superior de Teologia de Évora (ISTE) alertou para o “perigo ideológico” de a inteligência artificial (IA) ser usada como forma de dominação, defendendo que a “corporeidade” e a relação pessoal são valores inegociáveis para o Cristianismo.

“A inteligência artificial, como o próprio nome indica, valoriza sobretudo a inteligência e o perigo ideológico é de alguns mais inteligentes, ou pretensamente mais inteligentes, poderem utilizar a inteligência artificial para dominarem outros”, afirmou o padre Manuel António do Rosário à Agência ECCLESIA.

Falando em Albufeira, onde decorrem as jornadas de atualização do clero das dioceses do Sul, o responsável sublinhou que, embora a tecnologia traga benefícios como a rapidez de resposta, levanta questões éticas sobre a confidencialidade e a dignidade humana.

“Para nós cristãos há aqui uma questão fundamental que é a questão antropológica, nomeadamente a questão da corporeidade, da relação, do respeito pela dignidade da pessoa, são valores que para nós cristãos são inegociáveis”, sustentou.

O sacerdote explicou que a dimensão corpórea corre o risco de ser desvalorizada pela IA, lembrando que, para a Igreja, a confiança baseia-se na relação pessoal.

“Queremos encontrar soluções em que a inteligência artificial possa ajudar ao bem comum, a criar uma maior solidariedade e não a separação entre os seres humanos”, acrescentou, citando a preocupação partilhada pelo Papa Francisco.

Para além dos desafios tecnológicos, o padre Manuel António do Rosário abordou o futuro próximo da instituição, que em 2027 celebrará o seu 50.º aniversário, coincidindo com a realização da Capital Europeia da Cultura em Évora.

“São duas datas que nós queremos celebrar e, ao mesmo tempo, ajudar particularmente a diocese de Évora também nesta centralidade”, à qual “o Instituto quer também dar o seu contributo”, referiu.

O diretor do ISTE descreveu o estabelecimento de ensino como um “microcosmo” da Igreja global, acolhendo este ano 48 alunos de Teologia, muitos provenientes de matrizes culturais não europeias.

“É um desafio, é um estímulo, mas, ao mesmo tempo, traz-nos dificuldades, primeiramente quanto às questões linguísticas e culturais”, admitiu o responsável, encarando esta realidade não como um risco, mas como uma “oportunidade”.

O objetivo, segundo o padre Manuel António do Rosário, é que estes sacerdotes, quer fiquem em Portugal quer regressem aos seus países, levem uma “boa experiência, não apenas intelectual, teológica, mas também pastoral”.

As jornadas de atualização do clero do Algarve, Beja e Évora, organizadas pelo ISTE, começaram na segunda-feira e encerram-se hoje, após quatro dias de trabalho sobre o tema ‘Inteligência Artificial – Desafios emergentes de uma sociedade pós-cristã’.

OC

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