Santa Maria da Feira: «Mater Dolorosa» inspira celebrações da Semana Maior

Foto: Humberto Barbosa

Santa Maria da Feira, 10 fev 2026 (Ecclesia) – A localidade de Santa Maria da Feira (Diocese do Porto) vai cruzar, de 18 de fevereiro a 12 de abril, fé, cultura e património nas celebrações da Quaresma à Páscoa.

O tema «Mater Dolorosa» inspira a Semana Santa deste ano e, ao longo dos 54 dias de programação, cruzam-se propostas de “grande dimensão” como a “música, exposições, conferência, recriações históricas e gastronomia tradicional”, refere uma nota enviada à Agência ECCLESIA.

Com cerca de 300 pessoas envolvidas e iniciativas distribuídas por “vários espaços culturais do concelho, esta edição distingue-se pela separação entre programa litúrgico e programa cultural e por um conjunto de estreias, com destaque para a valorização do património imaterial”.

Inspirada na figura da «Mater Dolorosa» enquanto símbolo universal de dor, compaixão e resistência humana, esta edição propõe “um olhar contemporâneo sobre temas intemporais, acessível a públicos diversos”.

A “grande novidade” desta edição é a conferência “Apregoar as Almas”, no dia 06 de março (auditório da Biblioteca de Santa Maria da Feira) dedicada à recuperação de uma “tradição quaresmal quase desaparecida em Caldas de São Jorge”.

A iniciativa promove o diálogo com práticas semelhantes de outros territórios, nomeadamente a Encomendação das Almas de Idanha-a-Nova, permitindo uma abordagem comparativa e sublinhando a importância da salvaguarda e transmissão do património cultural imaterial.

No plano musical, destaca-se a “interpretação inédita”, em Santa Maria da Feira, da Missa Brevis de Jacob de Haan, pelo Coro do Orfeão da Feira, bem como o Stabat Mater de Alessandro Scarlatti, pelo Iberian Ensemble, e o Requiem de Mozart, pela Orquestra e Banda Sinfónica de Jovens de Santa Maria da Feira, com o Coro da Sé do Porto.

O programa cultural integra ainda duas exposições: uma dedicada aos Cristos Crucificados de devoção doméstica, patente no Museu Convento do Lóios, e outra centrada na iconografia mariana da «Mater Dolorosa», a partir das coleções do Museu de Lamas.

As peregrinações, visitas guiadas e recriações históricas reforçam a ligação entre espiritualidade, território, património e participação comunitária, enquanto monumentos com mais de 700 anos de história, enquanto os clubes de gastronomia e showcookings recuperam sabores de jejum, partilha e identidade, do pão de trigo barbela ao cabrito pascal.

No plano litúrgico, a programação mantém os momentos centrais que marcam profundamente a identidade religiosa do concelho: a Procissão dos Passos em Rio Meão e Paços de Brandão, a Procissão das Endoenças, a Via Sacra encenada pelo Grupo Gólgota, a Vigília Pascal e a Visita Pascal – Compasso, manifestações de fé viva que continuam a mobilizar milhares de fiéis.

A Semana Santa de Santa Maria da Feira afirma-se como um evento cultural de referência, onde arte, património, tradição e criação contemporânea se cruzam numa narrativa identitária aberta e plural.

LFS

 

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