Ecumenismo: Igrejas Cristãs celebram semana de oração pela unidade, inspiradas em texto de São Paulo
Materiais foram preparados pela Igreja Apostólica Arménia, com católicos e evangélicos, partem da carta aos Efésios
Lisboa, 07 jan 2026 (Ecclesia) – A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2026, preparada na Arménia, convida a recorrer à “herança cristã partilhada e a aprofundar a comunhão em Cristo”, e decorre, como habitualmente, de 18 a 25 de janeiro, no hemisfério norte.
“A unidade é um mandamento divino no cerne da nossa identidade cristã, mais do que um simples ideal. Representa a essência da vocação da Igreja – um apelo para refletir a harmonia e a unidade da nossa vida em Cristo no meio da nossa diversidade. Esta unidade divina é central na nossa missão e é sustentada pelo profundo amor de Jesus Cristo, que nos apresentou um propósito unificado”, explica o guião do Oitavário pela Unidade dos Cristãos.
‘Há um só corpo e um só Espírito, assim como fostes chamados a uma só esperança – a da vossa vocação’, da carta de São Paulo aos Efésios (4:4), é o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2026, versículo bíblico que “resume a profundidade teológica da unidade cristã”.
O guião do Oitavário 2026 explica que as epístolas de São Paulo “enfatizam a importância da unidade dentro da Igreja”, exortando a viver de forma digna a vocação, “com humildade, mansidão, paciência e amor (Efésios”, e salienta que a sua visão de unidade, em Romanos (12:6), mostra a “diversidade de dons que edificam o Corpo de Cristo”, enquanto o apelo de São Paulo “por relacionamentos harmoniosos” (2 Coríntios 13:11 e Filipenses 2:1-2) convida os crentes a “serem de um só pensamento e um só espírito no seu compromisso com Cristo”.
Nas Bíblia, lê-se, o chamamento de Deus à unidade “ressoa desde os tempos mais remotos”, e o subsídio de oração destaca vários exemplos no Antigo Testamento, e no Novo Testamento, onde Jesus Cristo “eleva o conceito de unidade a uma dimensão espiritual”, refletindo a profunda relação entre Ele e o Pai, e a unidade entre os Seus seguidores “não é meramente a ausência de conflito, mas um profundo vínculo espiritual que reflete a unidade da Santíssima Trindade”.
As orações e reflexões para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2026 foram preparadas pela Igreja Apostólica Arménia, com “irmãos e irmãs” das Igrejas Católica e Evangélica locais, na histórica sede espiritual e administrativa da Igreja Apostólica Arménia, a Santa Sé de Etchmiadzin, “durante os inspiradores dias da bênção do Muron (óleo sagrado) e da consagração da catedral”, a 28 e 29 de setembro de 2024.
“Estes recursos baseiam-se em tradições seculares de oração e súplicas utilizadas pelo povo arménio, juntamente com hinos que tiveram origem nos antigos mosteiros e igrejas da Arménia, alguns dos quais datam do século IV”, lê-se no guião, que convida a recorrer a essa “herança cristã partilhada e a aprofundar a comunhão em Cristo, que une os cristãos de todo o mundo”.
É proposto também um ‘culto ecuménico, intitulado ‘Luz da Luz para a Luz’, adaptado de uma das horas diárias de oração da Igreja Arménia, e este subsídio para o Oitavário 2026 pode ser descarregados no sítio online do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos da Santa Sé.
O ecumenismo é o conjunto de iniciativas e atividades tendentes a favorecer o regresso à unidade dos cristãos, quebrada no passado por cismas e ruturas, as principais divisões entre as Igrejas cristãs ocorreram no século V, depois dos Concílios de Éfeso e de Calcedónia (Igreja Copta, do Egito, entre outras); no século XI com a cisão entre o Ocidente e o Oriente (Igrejas Ortodoxas); no século XVI, com a Reforma Protestante e, posteriormente, a separação da Igreja de Inglaterra (Anglicana).
O ‘oitavário pela unidade da Igreja’, hoje com outra denominação, começou a ser celebrado em 1908, por iniciativa do norte-americano Paul Wattson, presbítero anglicano que mais tarde se converteu ao catolicismo.
CB/OC
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O Papa Leão XIV recebeu o patriarca da Igreja Apostólica Arménia, e a sua delegação, em Castel Gandolfo, nos arredores de Roma, no dia 16 de setembro de 2025, onde reafirmaram a necessidade da paz. Leão XIV foi o quarto Papa a receber Karekin II, líder espiritual de seis milhões de cristãos; o 132.º patriarca dos arménios, eleito em 1999, convidou o Papa a Arménia; O Papa Francisco visitou a Arménia, de 24 a 26 de junho de 2016. O guião da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2026 destaca que a Igreja Apostólica Arménia, fundada no início do século IV, reconhecida como uma das comunidades cristãs mais antigas do mundo, desempenhou “um papel fundamental na formação da identidade espiritual e histórica do povo arménio, durante quase dois milénios”, e “é um farol de fé, unidade e continuidade”. “Nos tempos contemporâneos, particularmente com desafios como o conflito em Nagorno-Karabakh [localizada na fronteira entre a Armênia e o Azerbaijão, ndr], e o deslocamento da população de Artsakh, a Igreja continua a servir como fonte de força e consolo para os arménios; o colapso da União Soviética em 1991 marcou um ponto de viragem significativo para a Arménia, levando a um ressurgimento da identidade religiosa e cultural”, desenvolve, sobre a Igreja Cristã que “experimentou um renascimento após o fim do ateísmo soviético”. |







