Algarve: Luís Vilhena, da Pastoral Prisional, publica livro «Os Reclusos – um Olhar de Esperança»

Bispo diocesano, D. Manuel Quintas, recebeu em audiência equipa da Pastoral Prisional da cidade de Faro

Foto: Folha Domingo/Samuel Mendonça

Faro, 28 fev 2025 (Ecclesia) – Luís Vilhena, da Pastoral Prisional de Faro na Diocese do Algarve, escreveu o livro ‘Os Reclusos – um Olhar de Esperança’, a partir do trabalho no Estabelecimento Prisional (EP) de Faro, que apresenta dia 29 de março, na Biblioteca Municipal.

“A primeira vez que lá fui tocou-me profundamente porque um miúdo, um recluso, fazia anos e o meu filho também. Ambos 23 anos. Ele começou a falar de dramas familiares e isso também me apoquentou um bocadinho a alma. Quando comecei a ir todas as terças-feiras, tive vontade de escrever sobre eles”, disse o autor ao jornal ‘Folha do Domingo’, da Diocese do Algarve.

Luís Vilhena, professor de Matemática, faz parte da equipa da Pastoral Prisional de Faro, desde fevereiro de 2024, algo que “já pretendia há muito tempo”, considera que “é uma mais-valia abrir esses horizontes”, acompanhar os reclusos, “e dar-lhes uma palavrinha de afeto”.

Segundo este visitador, o encontro semanal no Estabelecimento Prisional de Faro serve para reflexão sobre “um tema, uma palavra de vida”, mas “é sobretudo” para ouvirem os reclusos.

“Para estarmos disponíveis para ouvir os desabafos deles sem juízos de valor. E eu tenho isso aqui escrito no livro, esses encontros”, realça o autor de ‘Os Reclusos – um Olhar de Esperança’.

O novo livro tem dez capítulos e apresenta um retrato do EP de Faro, aborda a realidade prisional em Portugal e noutros países europeus, incluindo “dados estatísticos sobre a ocupação das prisões, os crimes mais frequentes que se cometem, e a dimensão da reinserção e inclusão social dos ex-detidos”, e inclui uma reflexão sobre o trabalho na área da Pastoral Prisional em Portugal, um capítulo com boas práticas, e noutros países como Espanha ou Dinamarca.

Luís Vilhena dedicou um dos capítulos ao workshop de desenho e poesia realizado com os reclusos do Estabelecimento Prisional de Faro, entre 6 de abril e 25 de maio de 2024, e que resultou numa exposição itinerante, intitulada ‘É preciso que todas as crianças possam sorrir’, que vai poder ser vista novamente, desta vez na Biblioteca Municipal local, de 17 a 29 de março; alguns desenhos e poesias foram enviados ao Papa Francisco.

A exposição de desenho e poesia é “um poderoso lembrete do potencial transformador da arte”, disse a responsável do Setor da Pastoral Prisional da Diocese do Algarve, Corinna Cappozzo, em maio de 2024, quando realizaram a primeira exposição deste workshop.

O livro ‘Os Reclusos – um Olhar de Esperança’, de Luís Vilhena, vai ser apresentado no dia 29 de março, pelas 17h30, na Biblioteca Municipal de Faro – António Ramos Rosa, divulga o jornal ‘Folha do Domingo’.

CB/OC

Foto: Folha Domingo/Samuel Mendonça

O bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, recebeu em audiência a equipa da Pastoral Prisional da cidade de Faro, no dia 14 de fevereiro.

“Há muitos momentos em que parece que vamos desistir porque há uma resistência aos direitos humanos e ao amor de Jesus, sentimos que precisamos de uma força maior. Pedimos a audiência ao senhor bispo para que nos dê uma bênção para conseguirmos juntos, de forma mesmo sinodal com a comunidade, enfrentar o mal que existe e levar a luz com a certeza de que o amor vence tudo”, disse Corinna Cappozo.

A responsável do Setor Diocesano da Pastoral Prisional, que também integra a equipa de Faro, afirma que “a cadeia não é um local de grande segurança”, destaca que na última celebração ecuménica no EP de Faro, dois participantes “pediram espontaneamente o sacramento da Confissão” e “voltaram com um sorriso que nunca tínhamos visto a dizer que se sentiam leves e livres”

A equipa da Pastoral Prisional da cidade de Faro tem procurado incluir as famílias dos detidos no seu serviço de acompanhamento e assistência, e, segundo Corinna Cappozo, o próximo passo é a participação destas famílias no Jubileu das Famílias, no dia 31 de maio, na Sé.

Para o encontro com o bispo do Algarve, a equipa da Pastoral Prisional de Faro levou a mãe de um dos reclusos e de um dos detidos com quem trabalhou, o designer gráfico de formação, natural da Itália, aguarda agora a decisão judicial em liberdade.

Corinna Cappozo destacou também a equipa da Pastoral Prisional, às vezes, visita o EP de Olhão e realiza encontros com uma média de 10 reclusos, para além do “trabalho muito bom” em Silves, sob a responsabilidade do padre Rafael Rocha.

A equipa diocesana da Pastoral Penitenciária – que tem como assistente o cónego Carlos César Chantre – inclui duas irmãs Missionárias da Caridade, irmãs de Calcutá, e uma irmã Missionária Reparadora do Sagrado Coração de Jesus.

 

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