EUA: Nova parceria católica lança projeto para responder a ameaças de «deportação em massa»

«Projeto Ação Profética Católica para Imigrantes» une organizações para apoiar dioceses com planos de contingência e estratégias de comunicação

Foto: Lusa/EPA

Washington, 23 jan 2026 (Ecclesia) – Um grupo de organizações católicas dos Estados Unidos lançou esta semana uma nova parceria destinada a preparar a Igreja para responder às ameaças de “deportação em massa”, apoiando imigrantes com e sem estatuto legal.

O “Projeto Ação Profética Católica para Imigrantes” (Catholic Immigrant Prophetic Action Project) resulta da colaboração entre o ‘Hope Border Institute’ e o ‘Center for Migration Studies’ de Nova Iorque, visando fornecer às dioceses ferramentas de pesquisa, comunicação e planeamento estratégico.

“O projeto apoiará diretamente as dioceses e arquidioceses para fortalecer a resposta da Igreja Católica às deportações em massa”, anunciaram os organizadores, em comunicado divulgado pelo serviço de notícias ‘OSV News’.

A iniciativa prevê o desenvolvimento de planos de resposta para situações em que agentes de imigração se apresentem em locais sensíveis, como escolas, hospitais ou igrejas, procurando garantir a proteção das comunidades vulneráveis.

D. Kevin Appleby, responsável de políticas do ‘Center for Migration Studies’, explicou que um dos focos centrais será ajudar as estruturas eclesiais a amplificar a sua mensagem, “tanto nos media tradicionais quanto nas redes sociais”.

O lançamento do projeto foi saudado por D. Brendan J. Cahill, bispo de Victoria (Texas) e presidente do Comité de Migração da Conferência Episcopal dos EUA (USCCB, sigla em inglês), que destacou a unidade dos bispos na defesa da dignidade humana.

“Nós opomo-nos à deportação em massa indiscriminada”, afirmou o prelado, recordando a “mensagem pastoral especial” aprovada pela conferência episcopal em novembro de 2025, que serve de base moral para esta nova mobilização.

Dylan Corbett, diretor executivo do ‘Hope Border Institute’, defendeu que a contribuição dos católicos deve estar na “praça pública”, promovendo uma “tensão saudável” que supere a polarização política.

“É assim que se apresenta a evangelização em 2026: a tensão produtiva é o caminho para uma mudança significativa”, sustentou.

A urgência de uma reforma migratória foi também sublinhada pelo arcebispo de St. Paul e Minneapolis, D. Bernard A. Hebda, num artigo de opinião publicado no ‘The Wall Street Journal’, no qual alertou que a inação política tornou o debate “mais agressivo e menos humano”.

A nova parceria baseia-se na Doutrina Social da Igreja, que equilibra o direito a migrar, o direito das nações a regularem as suas fronteiras e o dever de o fazerem com “justiça e misericórdia”.

OC

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