Episcopados assinaram declaração conjunta com apelo à «solidariedade mútua»

Lisboa, 06 fev 2026 (Ecclesia) – A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) e o Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SCEAM) divulgaram uma declaração conjunta, apelando a uma “assistência robusta” de Washington ao continente africano, sem lógicas de “paternalismo”.
“Perante desafios extremos, rezamos por laços renovados de fraternidade entre os povos dos EUA e de África, enraizados não no paternalismo ou no extrativismo, mas na solidariedade mútua”, referem os signatários.
O documento, assinado pelos responsáveis das comissões de Justiça e Paz dos dois organismos, alerta para o impacto da “redução significativa dos programas de assistência internacional dos EUA” e propõe uma nova visão de cooperação.
A declaração, intitulada ‘Irmãos e Irmãs na Esperança’, sublinha que a ajuda humanitária e ao desenvolvimento deve respeitar “profundamente as necessidades e os valores das comunidades locais”, denunciando tentativas de imposição cultural.
No capítulo dedicado à família, os signatários defendem que a cooperação internacional deve trabalhar em harmonia com as culturas africanas e “rejeitar a imposição de todas as práticas hostis à vida”.
“A promoção de uma verdadeira solidariedade exige o apoio à família, fundada na união estável entre homem e mulher, como base da cultura e célula fundamental da sociedade”, pode ler-se.
O documento aborda também a questão dos “minerais essenciais”, abundantes em África e cruciais para a tecnologia moderna, alertando que a corrida a estes recursos tem levado muitos a espezinhar a “dignidade das populações locais”.
Os bispos denunciam que as zonas ricas em minerais continuam a ser “focos de instabilidade, violência, guerras por procuração e várias formas de trabalho infantil e forçado”.
O documento apela a uma “dinâmica comercial mutuamente benéfica entre os EUA e os países africanos”, que seja “moldada pela igualdade e pelo profundo respeito pelos direitos e esperanças dos pobres”.
A declaração conjunta destaca ainda o impacto desproporcionado das alterações climáticas nas populações mais vulneráveis de África, aprofundando ciclos de “fome, violência e extremismo”.
Os responsáveis eclesiais rejeitam uma “visão unilateral” da solidariedade, lembrando que a Igreja nos Estados Unidos da América é “fortalecida pelo testemunho dos santos e dos mártires modernos africanos” e pelo envio de missionários.
“O clero e os religiosos africanos partilham generosamente os seus dons missionários ao serviço da Igreja americana, com uma presença próxima e tangível todos os dias”, reconhecem.
OC
