EUA: «A paz começa com o que dizemos e fazemos», disse o Papa aos agostinianos

Leão XIV explicou a frades de província norte-americana que são chamados a serem «pacificadores nas famílias e bairros»

Papa Leão XIV e padre Robert P. Hagan, superior da Província de Santo Tomás de Villanova

Cidade do Vaticano, 29 ago 2025 (Ecclesia) – O Papa Leão XIV enviou uma mensagem à maior comunidade agostiniana dos Estados Unidos da América, lembrou o chamamento a serem “pacificadores nas famílias e bairros”, num “mundo cheio de ruído”, onde é preciso escutar “antes de falar”.

“Como comunidade de crentes e inspirados pelo carisma dos Agostinhos, somos chamados a sair para sermos pacificadores nas nossas famílias e bairros, e a reconhecer verdadeiramente a presença de Deus uns nos outros. A paz começa com o que dizemos e fazemos, e como o dizemos e fazemos”, disse Leão XIV, na mensagem divulgada pela sala de imprensa da Santa Sé.

A Igreja Católica celebrou a memória obrigatória de Santo Agostinho (séculos IV-V), bispo de Hipona e doutor da Igreja, o Papa destacou que a sua vida e o seu “chamamento à liderança servidora” recordam que todos têm “dons e talentos dados por Deus”, e o seu “propósito, realização e alegria vêm de os oferecer em serviço amoroso a Deus e ao próximo”.

“Santo Agostinho recorda-nos que, antes de falar, precisamos primeiro de escutar e, como Igreja sinodal, somos encorajados a reencontrarmo-nos na arte de escutar através da oração, do silêncio, do discernimento e da reflexão; Santo Agostinho exorta-nos a prestar atenção e a escutar o mestre interior, a voz que fala de dentro de todos nós. É dentro dos nossos corações que Deus nos fala”, assinalou Leão XIV.

O Papa indicou que têm a oportunidade e a responsabilidade de “escutar o Espírito Santo”, de ouvirem-se uns aos outros, de ouvir “as vozes dos pobres e dos que estão à margem, cujas vozes precisam de ser ouvidas”, e lembrou que, Santo Agostinho, num dos seus sermões, encorajou os seus ouvintes: “Não coloquem o coração nos ouvidos, mas os ouvidos no coração”.

“O mundo está cheio de ruído, e as nossas cabeças e corações podem ser inundados por diversos tipos de mensagens. Estas mensagens podem alimentar a nossa inquietação e roubar-nos a alegria. Como comunidade de fé, procurando construir uma relação com o Senhor, que nos esforcemos por filtrar o ruído, as vozes divisivas nas nossas cabeças e corações, e nos abramos aos convites diários para conhecermos melhor Deus e o Seu amor.”

A videomensagem do Papa para a maior comunidade agostiniana nos Estados Unidos da América, e uma das mais antigas, foi gravada como agradecimento por ter recebido a Medalha de Santo Agostinho, da Província de Santo Tomás de Villanova.

“Como agostinianos, buscamos todos os dias estar à altura do exemplo do nosso pai espiritual, Santo Agostinho. Ser reconhecido como agostiniano é uma grande honra. Devo muito do que sou ao espírito e aos ensinamentos de Santo Agostinho”, disse o Papa.

O superior da Província norte-americana de Santo Tomás de Villanova explicou que entregaram a Medalha de Santo Agostinho a Leão XIV “pelo seu serviço de liderança, pelo seu compromisso ao longo da vida com os pobres, pelo seu testemunho dos valores agostinianos”.

“E, agora, como nosso Pastor universal, pelo exemplo que dá a todos nós para nos aproximarmos mais do Senhor e uns dos outros, e para que todos possamos ser pacificadores”, acrescentou o padre Robert P. Hagan, quando entregaram a medalha, divulgou a sala de imprensa da Santa Sé.

O Papa afirmou que, na solenidade do Nosso Santo Padre, Santo Agostinho, sente-se “humilde e verdadeiramente honrado” por receber a Medalha de Santo Agostinho da Província de Santo Tomás de Vilanova, na mensagem que gravou “longe do calor romano”, em Castel Gandolfo, a residência de férias dos pontífices, “para oração, reflexão e descanso”.

“Ficarão felizes por saber que a igreja paroquial desta cidade nos arredores de Roma tem o nome de Santo Tomás de Vilanova, conhecido como o pai dos pobres, um frade e bispo agostiniano maravilhosamente talentoso que dedicou a sua vida ao serviço dos pobres”, partilhou Leão XIV, o primeiro pontífice norte-americano e, enquanto religioso da Ordem de Santo Agostinho foi superior geral, missionário e arcebispo no Peru.

CB

Partilhar:
Scroll to Top