A Escola não superior em Portugal “é percebida como uma instituição algo desarticulada, pouco admirada, não se articula com o meio em que se insere e pouco tem em conta o futuro profissional dos seus alunos” – uma conclusão do estudo feito pela APEME (Área de Planeamento e Estudos de Mercado) e promovido pela ACEGE (Associação Cristã de Empresários e Gestores) e pela AEEP (Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo). Um estudo de opinião sobre o modo como a Escola não Superior em Portugal é vista por empresários e gestores, realizado durante os meses de Abril e Agosto de 2002, num total de 28 entrevistas individuais aprofundadas. No binómio Escola Pública – Escola Privada, o estudo conclui que ensino público caracteriza-se como “fortemente permeável ao meio em que uma dada escola se situa” e no ensino privado o seu traço distintivo residirá “na dimensão de Segurança que oferece aos seus alunos”. Neste segmento encontram-se também algumas “marcas de prestígio – quase sempre identificáveis, em primeiro lugar a partir da qualidade das infra-estruturas, de recursos e equipamentos”. E adianta: “são poucas as referências positivas criadas a partir do valor percebido do projecto educativo da Escola – projectos geralmente atribuídos à própria história e tradição do estabelecimento”. Dos aspectos “mais criticados do actual panorama da Escola” ressalta a “ausência de um Projecto Educativo próprio para cada escola”. Em relação ao desempenho dos professores, conclui-se, ao estabelecer comparações entre os quadros que têm nas suas empresas e o professor, que há interrogações sobre “a genuinidade da vocação para muitos dos professores, o que trará consigo fortes limites à sua capacidade de motivação dos alunos”. Por outro lado, o estudo observa que há “uma queda acentuada do prestígio social da classe docente”. A situação ganha contornos mais pertinentes se tivermos em conta uma outra dimensão presente no discurso de Empresários e Gestores: “a fragilidade do actor família”. A pressão exercida sobre as famílias urbanas opera “fortes desvios educacionais” e “fáceis cedências a uma lógica de consumismo acrítico”. O diagnóstico completa-se com um tópico antigo: a disciplina. Reconhece-se a premência de “introduzir uma nova forma de comportamento individual e de grupo, assente na responsabilização das acções, no entendimento e acatamento de regras, na capacidade de pôr ordem em sistemas cada vez mais dinâmicos” e imprevisíveis”. Perante estes dados, os empresários e gestores convidam a Escola a “desdramatizar o conceito de empresa, de mercado, abandonando preconceitos” entre “o universo empresarial e o universo escolar”. E finaliza: “importará reconsiderar o valor do trabalho, começando aliás pela própria escola e seus profissionais”.
