Caritas avisa que as populações podem ficar completamente isoladas, agravando a pior crise humanitária do mundo A Confederação internacional da Cáritas assegura que é apenas uma questão de tempo antes que a estação das chuvas isole por completo grandes áreas do Darfur, região ocidental do Sudão, colocando em risco a vida de milhares de pessoas, mergulhadas na pior crise humanitária do mundo. Mayen Wol Jong, membro da equipa Resposta de Emergência Conjunta (ACDER) da Caritas Internationalis e da “Churches Together International” assegura que, por enquanto, “as populações locais têm feito um enorme trabalho na ajuda das pessoas que procuraram refúgio no campo de Nyala”. A ACDER tem oferecido ajuda médica e alimentar, mas o isolamento das populações impedirá a continuação deste trabalho em vários locais. Neste fim-de-semana foram implementados centros de ajuda sanitária nas zonas de Kubum e Um Labassa, uns 100 quilómetros ao oeste de Nyala. Contudo, os agentes da ACDER não conseguiram instalar uma terceira tenda devido a uma forte tempestade que arrasou Um Labassa e destruiu parte das instalações. A Caritas Internationalis apresenta o relato de uma das refugiadas, Fatima Khalid, visivelmente assustada pela perspectiva das chuvas torrenciais. “Temos muito frio quando chove, as nossas crianças gelam e adoecem com muita facilidade. Precisamos de um tecto para nos protegermos das tempestades e tenho medo do que possa acontecer se não for possível obter ajuda”, diz esta mulher que fugiu da sua aldeia após as milícias Janjaweed terem matado o seu marido. O governo sudanês anunciou hoje que dar início já na próxima semana às operações necessárias para desarmar essas milícias, constituída por pastores árabes e consideradas as principais responsáveis pela violência que tem devastado o Darfur.
