D. António Marto estava desejoso de ver os rostos de Viseu 20 de Junho de 2004, o dia em que “o desejo de ver os vossos rostos, desde a data da minha nomeação, finalmente se realiza” – sublinhou D. António Marto, bispo de Viseu, na tomada de posse naquela diocese. Os cristãos convergiram de todos os ângulos da Diocese, por isso – acentuou o pastor – “sinto-me peregrino, tal como o salmista que converge com o povo para o templo de Jerusalém”. E adianta: “Acolhei-me tal como acolhestes, ao longo dos séculos, os meus predecessores, o último dos quais foi o nosso tão amado senhor D. António Monteiro”. Na sua homilia o novo pastor deste território eclesial realçou que a diocese de Viseu “é uma Igreja viva, rica de fé, herdeira de um património espiritual, enraizada numa tradição religiosa secular. É para mim uma graça e motivo de são orgulho estar inserido nesta árvore frondosa e poder participar da sua linfa vital”. Nesta viragem epocal, marcada por mutações culturais profundas que levam “a viver a fé num contexto novo e, nalguns aspectos, inédito, como sejam: o pluralismo social, cultural e religioso, a confusão de valores, a cultura do vazio e do efémero, a indiferença religiosa, a perda da memória cristã, o analfabetismo religioso”, D. António Marto salienta que “tudo isto tem provocado a erosão interna da fé de muitos cristãos, reduzindo-a a uma religiosidade vaga e superficial, a uma realidade repetitiva, sem encanto nem beleza, sem frescura, sem alegria, sem entusiasmo”. Para o pastor de Viseu, o pior que pôde acontecer ao cristianismo “foi ter-se perdido a dimensão mística da fé, reduzindo-a a um moralismo, a uma lista de deveres, obrigações e proibições ou a um mero humanismo simpático. Ora, quando se resume a fé a coisas ou a um fardo não se lhe encontra beleza nem se lhe descobre encanto”. Em tempo de festa, o prelado de Viseu adianta que “não são as análises pessimistas que melhoram o mundo. Nem basta um apelo genérico aos valores, à legalidade e à educação para a cidadania para fazer com que as coisas corram melhor. É preciso uma visão (pro)positiva e uma vida rica de qualidade espiritual para enfrentar com energia e coragem os problemas do quotidiano e as inquietações da humanidade no início deste novo milénio”. E finaliza: “não há qualidade de vida sem vida espiritual de qualidade. Por isso, a santidade de vida é a realidade mais necessária para a qualidade humana da sociedade, das relações entre as pessoas e os povos, para uma autêntica humanização do mundo”. Notícias relacionadas •Ir ao coração da fé •A Igreja não é uma sociedade anónima
