Presidente da Comissão Episcopal de Migrações e Turismo fala na urgência de O presidente da Comissão Episcopal de Migrações e Turismo, D. Januário Torgal Ferreira, realizou um périplo pelas comunidades portuguesas na Europa para discutir o acompanhamento dado pela Igreja Católica em Portugal aos seus emigrantes, cujo modelo para o futuro ainda permanece uma incógnita. Uma série de encontros decorreu em Bruxelas, Paris e Colónia, juntando respectivamente os Delegados e Responsáveis nacionais das Comunidades Católicas Portuguesas na Europa, os Agentes pastorais que acompanham as Comunidades portuguesas em França e os missionários de portugueses da Alemanha. A ideia principal destes três encontros foi discutir a evolução das comunidades portuguesas num momento em que intensifica a falta de missionários para as servir. “O nosso problema é saber o que fazer quando os sacerdotes ficam doentes ou atingem um limite de idade e não há quem consiga enviar novos sacerdotes”, explica D. Januário à Agência ECCLESIA. Os responsáveis portugueses mostram-se conscientes dos diversos condicionalismos que esta matéria envolve, devido à escassez de sacerdotes ou questões de gestão económica no país de residência. “É preciso assegurar o futuro, quando se sabe que a primeira missionação vai desaparecendo, que a segunda geração praticamente só fala a língua do país onde está e que as seguintes têm dificuldades, nalguns países, em participar de forma viva na comunidade local”, reflecte este responsável. “A identidade específica das comunidades portuguesas deve ser defendida, respeitando a sua autonomia, mas fomentando uma maior comunhão com a comunidade local”, vinca o prelado. Os delegados nacionais das comunidades católicas de língua portuguesa da Europa pediram claramente um maior apoio para os portugueses espalhados pelo Velho Continente, com um reforço da presença na igreja local e uma maior sensibilização da Igreja em Portugal. D. Januário assegura que as conclusões destes encontros serão apresentadas aos bispos diocesanos e que só nessa altura será oportuno comentá-las. “O nosso contacto com as comunidades já vem de há muito tempo e, por contingências práticas, as comunidades concluem que não há sacerdotes portugueses e compreendem o problema que eu e o director da OCPM levantámos no ano passado”, refere. A experiência mais marcante para o presidente da Comissão Episcopal de Migrações e Turismo foi a presença de representantes de todas as dioceses francesas no encontro de Paris, na primeira vez que uma iniciativa destas se realizou. “A decisão de haver um conselho nacional com representantes portugueses foi um resultado notável para o nosso trabalho”, assegura. Notícias relacionadas • Comunidades católicas portuguesas na Europa pedem mais atenção para os emigrantes • Igreja de França apela à participação dos portugueses
