Os sucessivos alertas lançados por responsáveis católicos relativamente à situação no Togo multiplicaram-se nos últimos dias, denunciando uma verdadeira emergência humanitária. Cerca de 17 mil pessoas colocaram-se em fuga rumo ao Benin e ao Gana, após as contestadas eleições presidenciais de Abril com vitória atribuída a Faure Gnassingbé, filho do presidente Gnassingbé Eyadema, que morreu a 5 de Fevereiro passado. A violência e os confrontos dos últimos dias têm mergulhado o país africano num clima de tensão, gerando o receio de o Togo se converta num novo Ruanda. Segundo a agência missionária Fides, do Vaticano, neste momento não há confrontos pelas ruas, mas a tensão é sempre muito alta e as pessoas têm medo. “Os militares continuam a matar os opositores do regime”, denunciam missionários no local. O risco de uma guerra civil cresce a cada hora que passa e aumentam os receios sobre a eventual reacção da população à divulgação dos definitivos das eleições presidenciais de 24 de Abril. “Se for confirmada a vitória do candidato da situação, Faure Gnassibé Eyadéma, a oposição poderia criar nova onda de violência e, desta vez, os manifestantes podem estar armados”, afirmam as fontes da Fides. “Até agora, as armas foram usadas somente pelos militares. Os manifestantes estavam, no máximo, armados com garrafas incendiárias e com objectos contundentes. O Togo, contudo, está há anos no centro do tráfico de armas, que tem como destino final os países vizinhos. Desta vez, portanto, as armas poderiam ser usadas aqui”, acrescentam. Os observadores afirmam que o próprio exército está dividido, com os militares de baixo escalão votar em massa na oposição – uma eventual divisão das forças armadas pode levar o país ao caos. “A própria Igreja católica está a sofrer fortes pressões. As Comissões Justiça e Paz de algumas paróquias togolesas, que tinham organizado grupos de vigilância para as eleições, sofreram ataques por parte da imprensa próxima ao governo”, relatam os missionários. O Núncio Apostólico no Togo, D. Pierre Nguyen Van Tot, confirmara na semana passada que “muitos sacerdotes, religiosos e religiosas estão a abandonar Lomé e outros centros urbanos”. Em declarações à agência Misna, o representante do Papa explica que a Igreja Católica está a ser acusada pelo governo de “estar demasiado próxima dos pedidos e das posições das forças opositoras”. Bento XVI falou da crise no Togo durante a oração do Regina Coeli no passado Domingo, manifestando “proximidade às queridas populações do Togo, perturbadas por dolorosas lutas internas”. “Agradecemos ao Papa. Confiamos na sua oração e no seu interesse, para que o Togo encontre o caminho da paz e da democracia”, concluem as fontes da Fides. A rede internacional da Cáritas já activou mecanismos de apoio às populações, difundindo um apelo urgente “com a esperança de que, graças aos esforços da União Europeia e da União Africana, se possam encontrar quanto antes caminhos para a resolução do conflito”. A Cáritas prevê uma despesa de cerca de 110 mil Euros para ajudar 10 mil refugiados ao longo dos próximos três meses.
