António Estanqueiro, Professor e Formador

Educar é investir na formação integral das novas gerações, preparando-as para enfrentar os desafios do futuro. Trata-se de uma missão essencial que exige a cooperação ativa entre a família e a escola.
A prioridade da escola é desenvolver competências e valores, garantindo que todos os alunos, independentemente das suas origens ou dificuldades, têm acesso a uma educação de qualidade. Na educação, que é fruto da interação humana, nenhuma ferramenta digital consegue substituir os professores.
Em tempos de incerteza, o que esperamos da escola e dos professores? Vale a pena refletir sobre três boas práticas educativas.
1. Desenvolver o pensamento crítico
A era digital trouxe mudanças profundas no modo de aprender, trabalhar e conviver. Neste contexto, a escola e os professores devem desenvolver o pensamento crítico dos alunos. Mais do que nunca, importa ensiná-los a pensar com autonomia e abertura de espírito, para que se tornem protagonistas da sua vida.
Como capacidade cognitiva, o pensamento crítico orienta a navegação no mar traiçoeiro da internet e das redes sociais. Também serve para analisar benefícios e riscos da Inteligência Artificial (IA). Com impacto decisivo em diversas áreas de atividade, incluindo no ensino e na aprendizagem, a IA não dispensa a inteligência humana. Nem a ética.
É necessário sentido crítico para distinguir os factos das opiniões e a verdade da mentira. Quem pretende prevenir enganos e manipulações, precisa de saber avaliar, de forma racional, a credibilidade das suas fontes de informação.
Além de outras vantagens, o pensamento crítico ajuda a refletir antes de agir. Se uma pessoa pondera os prós e contras das suas escolhas, pode tomar decisões mais conscientes e responsáveis.
2. Promover a convivência saudável
Espera-se que a escola, como espaço privilegiado de socialização, promova a convivência saudável entre os alunos, desenvolvendo competências emocionais e sociais. Os jovens precisam de aprender a conviver e a trabalhar em equipa com colegas de origens económicas e culturais diferentes. Sem discriminações.
Aprender a conviver implica aprender a comunicar de forma eficaz. Quem sabe comunicar, escuta os outros com empatia, mesmo quando não concorda com o que pensam. Expõe abertamente as suas ideias, sem medo das discordâncias. E recorre ao diálogo para resolver eventuais conflitos.
Para incentivar a comunicação face a face, faz sentido proibir aos alunos mais novos o uso dos telemóveis no espaço escolar. Mas não basta proibir. Os educadores sabem que é mais pedagógico aprofundar a literacia digital dos jovens e refletir com eles sobre os perigos da dependência das redes sociais.
A convivência saudável entre os alunos, alicerçada na tolerância e no respeito mútuo, supera o individualismo, aumenta a cooperação e previne o bullying (presencial e digital). É o caminho seguro para criar e manter boas relações humanas, indispensáveis para a vida em sociedade.
3. Formar cidadãos responsáveis
Uma das principais funções da escola consiste em formar cidadãos responsáveis, que participam ativamente na vida das comunidades a que pertencem, a nível local, nacional e global. A ética, mais exigente do que a lei, é a base essencial da educação para a cidadania.
Os cidadãos conscientes dos seus direitos e deveres preocupam-se com o bem comum. Comprometidos com os valores democráticos e, fazendo o que está ao seu alcance, contribuem para uma sociedade mais justa e solidária. Isto supõe a coragem de defender os direitos humanos e as liberdades fundamentais, denunciar as injustiças, proteger o planeta e exigir aos líderes políticos que exerçam o seu poder como serviço à comunidade.
Não se pode esperar que a escola resolva sozinha os problemas complexos que ameaçam a nossa vida coletiva. Outras instituições sociais, culturais e religiosas têm de assumir as suas responsabilidades. Mas nada se resolve sem a escola, onde os professores educam a mente e o coração dos jovens, oferecendo-lhes conhecimento e valores.
A educação centrada no respeito pela dignidade humana é a força mais poderosa para aperfeiçoar as pessoas, quebrar ciclos de pobreza e violência e construir um mundo mais pacífico. Educar é semear a esperança no futuro.
António Estanqueiro
Professor e Formador
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