D. António Ferreira Gomes teve um papel preponderante no caminho ecuménico na diocese do Porto. Em termos públicos, “a primeira grande celebração ecuménica registada em Portugal aconteceu na cidade do Porto” durante o episcopado de D. António Ferreira Gomes. Em declarações à Agência ECCLESIA, D. Fernando da Luz Soares, bispo da Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica, recorda o “entusiasmo e envolvimento ecuménico – não pessoal mas institucional” – do «bispo do Porto». O seu papel foi fundamental porque o movimento ecuménico “só teve cabimento na medida em que a própria Igreja Católica Romana, e particularmente a diocese do Porto, se envolveu” – disse. O “dinamismo ecuménico” nesta diocese deve-se, essencialmente, a uma circunstância histórica. “Nos finais do II Concílio Ecuménico do Vaticano gerou-se, no Porto, uma relação de diálogo e confiança entre determinadas pessoas que foram entusiasmadas pelos hierarcas das Igrejas”. D. António Ferreira Gomes “criou as condições” para que outras pessoas – cón. Narciso Rodrigues, D. Januário Torgal Ferreira, D. Carlos Azevedo e leigos – se mostrassem “interessados e foram entusiasmados para este tipo de envolvimento”. No Porto criou-se “um elan” – decorreu não apenas das celebrações ecuménicas mas que depois se “materializou em pequenos grupos (oração, estudo bíblico)” e a base de um “relacionamento ecuménico”. E acrescenta: “sou do tempo em que a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos era vivida numa verdadeira alegria”. Um caminho onde se vê as confissões religiosas como irmãos e não como rivais. “O esbater do gelo e de uma certa animosidade – era vivida na altura – criou as condições para que as pessoas se começassem a olhar umas perante as outras como irmãos” – referiu D. Fernando da Luz Soares. Neste percurso ecuménico – sublinha este bispo da Igreja Lusitana -, D. Armindo Lopes Coelho – na altura bispo auxiliar do Porto – teve um “papel preponderante”. E recorda: “quando fui sagrado bispo, D. António Ferreira Gomes enviou, em sua representação, D. Armindo Lopes Coelho”. Estes factos demonstravam a “abertura de uns perante os outros” nesta relação. Depois do “grande entusiasmo inicial”, entrou-se na fase “da rotina” mas “com grande reflexo”. Esta é a razão pelo qual, no Porto, se “vive, de modo particular, o ecumenismo” – apurou o prelado da Igreja Lusitana. Para aprofundar este diálogo foi criada, recentemente, uma comissão ecuménica. “Ela é, de certo modo, o reflexo da primeira comissão ecuménica – presidida pelo falecido Cón. Narciso Rodrigues (representação da Igreja Católica Romana) – que dinamizava um conjunto de acções”. Uns tempos depois, esta comissão alargou-se e, por diversas circunstâncias, “foi perdendo actividade” – lamentou. Nos últimos dois anos pensou-se “reactivar esta comissão de modo a criar as condições para se levar a cabo actos simples mas concretos” – afirmou D. Fernando da Luz Soares. Actualmente, a comissão é coordenada pelo Pe. Domingos Oliveira. Uma das actividades que provam este dinamismo ecuménico na diocese do Porto “é o jantar que D. Armindo Lopes Coelho, bispo do Porto, promove, na altura da Festa de Pentecostes, com representantes de outras confissões religiosas”. Actos que demonstram um “ecumenismo quotidiano” e não apenas na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (18 a 25 de Janeiro). Nesta dinâmica, os jovens também estão envolvidos. “Um dos pontos de referência é o Fórum Ecuménico Jovem”. O Departamento Diocesano da Pastoral Juvenil e os departamentos juvenis das outras igrejas “têm feito um trabalho extraordinário”. No último Natal foram cantar para uma das ruas mais comerciais da cidade do Porto (Rua de Santa Catarina). “Levaram às pessoas outra perspectiva do Natal que não seja apenas do mercantilismo” – esclareceu o bispo da Igreja Lusitana. Em Outubro passado realizou-se também uma peregrinação a Santiago de Compostela “composta por pessoas da Igreja Católica e da Igreja Lusitana”. No próximo dia 21 de Janeiro far-se-á também uma caminhada ecuménica jovem. “Um sinal de relação entre as igrejas”. Passados 40 anos do encerramento do II Concílio Ecuménico do Vaticano, Cardeal Walter Kasper, Presidente do Conselho Pontifício da Unidade dos Cristãos, sublinhou que “era ocasião favorável para fazer um balanço”. Para D. Fernando da Luz Soares esta caminhada “teve momentos altos e baixos” mas todos os cristãos que se envolveram “saíram mais ricos”. Descobriram a “outra face da sua própria realidade” e “apreenderam a aceitar” – realçou. Hoje, as igrejas “convivem” e “este facto é perfeitamente natural”. E conclui: “estamos a criar no coração das pessoas a aceitação do outro”.
