«A diversidade enriquece-nos», disse Sifredo Teixeira, a propósito da iniciativa que se centrou no tema «Há esperança»

Sintra, 02 fev 2026 (Ecclesia) – O Centro Cultural Olga Cadaval acolheu, este sábado, mais uma edição do Encontro Cristão de Sintra, unindo crentes de diversas Igrejas, com a diferença a ser salientada pelos participantes como “uma riqueza”.
“Eu digo que isto não é, de modo nenhum, uma reunião, é um encontro, não é? Portanto é um encontro de fraternidade, um encontro em que nos sentimos irmãos, porque radicados em Jesus Cristo”, afirmou Luís Parente Martins, da organização da iniciativa ecuménica, em declarações à Agência ECCLESIA.
O programa do Encontro Cristão 2026 iniciou-se às 21h, mas, durante a tarde, os jovens estiveram reunidos no salão da igreja de São Miguel.
“Percebemos que, de facto, a diferença é uma riqueza, um enriquecimento, não é um muro, não é uma barreira, mas é uma complementaridade daquilo que eu sinto, daquilo que eu sou”, referiu o entrevistado, da Igreja Católica, antes do início do evento, à tarde.
Apesar de se realizar pela 16ª vez, Luís Parente Martins salienta que o encontro “é sempre uma novidade”, uma vez que os relacionamentos também o são: “E o que é bonito é quando as pessoas chegam, de facto já se conhecem, e ao conhecerem-se retomam aquele grau de relação que já têm anteriormente”.
“Nós, este ano, temos cerca de 50 comunidades cristãs”, indicou.
Por seu lado, Sifredo Teixeira, do Conselho Português de Igrejas Cristãs, olha para esta iniciativa como “uma experiência que procura aprofundar a caminhada ecuménica”, que tem vindo a ser desenvolvida, e “alargá-la” a outras Igrejas.
Como cristãos, mesmo vindo de Igrejas com tradições diferentes, a diversidade enriquece-nos e este é um encontro que promove a valorização dessa diversidade e que também se apresenta como um testemunho que nós cristãos temos que dar”, referiu.
Sobre a presença dos jovens, o bispo da Igreja Metodista salienta que este é “um dos grandes testemunhos” que a iniciativa dá.
“E ver toda esta juventude envolvida, comprometida e a valorizar a experiência é enriquecedor”, assinalou.

A Igreja Católica também esteve representada no encontro por D. Alexandre Palma, bispo auxiliar de Lisboa, que o entende como uma forma “de ecumenismo prático”.
“Às vezes o desconhecimento recíproco é a primeira barreira a vencer. De tal maneira, isto permite o encontro entre crentes de várias comunidades, de várias Igrejas. O encontro, o conhecimento recíproco. E também o ecumenismo da oração”, disse.
Segundo o bispo, a iniciativa é ainda uma oportunidade de rezar e de refletir em conjunto e de descobrir uma irmandade numa periferia da capital, “que é muito plural e que está crescentemente plural do ponto de vista das pertenças religiosas”.
O encontro contou também com a presença do padre ucraniano Natanael Harasym, incardinado no Patriarcado de Lisboa, que enfatizou a importância de as Igrejas Cristãs caminharem juntas, lembrando também o povo do país de que é natural e que continua a sofrer com a guerra.
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“Há esperança” deu mote ao encontro, organizado por várias Igrejas Cristãs.
“É de facto um tema muito importante nos dias de hoje, pelas circunstâncias do mundo e até pelas circunstâncias das catástrofes naturais que têm acontecido. É preciso estarmos alicerçados em alguma coisa de muito forte para sermos otimistas em relação ao futuro”, disse Luís Parente Martins.
Para Timóteo Cavaco, aliar a temática da iniciativa ecuménica “à ideia de amor e paz” é “a tríade perfeita” para entender “o que é o verdadeiro papel do cristianismo no mundo”.
“De facto, vivemos num mundo muito polarizado, muito radicalizado, mas, no fundo, regressamos às questões essenciais da fé. Naturalmente que devem crescer em cada um de nós, enquanto cristãos, mas depois também transpor-se às comunidades e ao trabalho conjunto que se pode fazer entre as comunidades”, mencionou.
À Agência ECCLESIA, também João Barros, da organização do “Encontro Cristão 2026” se referiu ao tema da iniciativa, relacionando-o com o trabalho que desenvolve no centro de acolhimento para sem-abrigo na cidade de Lisboa que dirige.
“A esperança ela é levada não só com comida, não é levada só com roupa, e eu faço isso todos os dias do ano”, começa por dizer, acrescentando que esta é também uma palavra de conforto.
“A pessoa pode não ter saúde e pode nunca voltar a ter saúde, mas uma pessoa com esperança, com fé, já começa a ver a vida de uma maneira diferente”, sublinhou.
| Entre os jovens participantes da iniciativa ecuménica esteve Isabela Santos, da Igreja Batista Getsémani Lisboa, que salienta a relevância de ocasiões que proporcionem o diálogo e o conhecimento das diferentes tradições.
“Às vezes nós acabamos por julgar as outras religiões, querendo ou não, e isso é importante para nos conhecermos e termos uma visão diferente, mas uma visão boa. Eu acho muito importante”, realçou. Giovana, de 16 anos, da mesma igreja, também aderiu ao encontro e explicou que se converteu “há pouco tempo” quando percebeu “que a vida mundana” não era para si. “As minhas expectativas são de me aproximar mais de Deus”, disse a jovem, antes do encontro. |
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