Francisco Medeiros destacou a importância da nova Carta Ecuménica, que é «um chamamento à paz»

Angra do Heroísmo, Açores, 23 jan 2026 (Ecclesia) – O novo coordenador da Comissão para o Diálogo Inter-Religioso e para as Relações Ecuménicas de Angra afirmou que a unidade deve nascer “da conversão, da purificação das motivações”, e quer fazer “um levantamento” das comunidades cristãs nos Açores.
“O essencial é ensinar a caminhar com outras confissões e religiões sem julgar ninguém. Qualquer Igreja fechada em si própria não constrói a paz — e esse é o propósito fundamental”, disse Francisco Medeiros, citado pelo portal online ‘Igreja Açores’.
A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos está a decorrer no hemisfério norte, até este domingo, realiza-se anualmente de 18 a 25 de janeiro, e para o novo coordenador da Comissão para as Relações Ecuménicas de Angra o diálogo ecuménico “não é um tema de calendário, é um caminho”, que requer perseverança e gestos concretos ao longo de todo o ano.
Francisco Medeiros salientou que “a unidade nunca pode ser colonização”, deve nascer “da conversão, da purificação das motivações e do coração aberto”, evitando um ecumenismo meramente simbólico e sem impacto real.
“A unidade não significa apagar diferenças, nem cair num cadinho onde tudo se mistura. Cresce quando rezamos juntos, quando ouvimos uns aos outros, quando servimos e até quando sofremos juntos. Se cada um não aceitar perder um pouco do seu ego, ficamos todos na mesma”, desenvolveu o leigo açoriano.
A Diocese de Angra assinala a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2026 com uma celebração diocesana, que conta novamente com a Igreja Presbiteriana Portuguesa, este domingo, dia 25 de janeiro, às 15h00 locais (mais uma hora em Portugal continental), na capela do Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada.
O novo responsável das Relações Ecuménicas da Diocese de Angra quer realizar “um levantamento sociológico das comunidades cristãs existentes nos Açores”, mapeando origens, composição, necessidades e ações sociais, para ser possível relações de proximidade e desenvolver iniciativas conjuntas, especialmente no campo social e caritativo, com atenção particular às famílias migrantes e pessoas em situação de vulnerabilidade.
No Arquipélago português dos Açores vivem cerca de 7 mil migrantes de quase 100 nacionalidades, e é crescente a presença de comunidades evangélicas, ortodoxas e de outras tradições religiosas, por isso, a comissão diocesana quer reforçar também o diálogo inter-religioso, e trabalhar com todos “para o bem comum”.
A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e o COPIC apresentaram publicamente a ‘Carta Ecuménica 2025’ (‘Charta Oecumenica’), esta terça-feira, dia 20 de janeiro, na Universidade Católica Portuguesa (UCP), em Lisboa.
Segundo Francisco Medeiros o novo documento representa “um chamamento à paz”, é “um roteiro exigente de compromisso espiritual e social para as Igrejas europeias”, e coloca as comunidades cristãs “no caminho da paz, com coragem para ouvir, reconciliar e servir juntas”, num mundo “marcado por conflitos, alguns bélicos e muitos de palavra”.
“Se as Igrejas não conseguem caminhar juntas, como pode a Europa aprender a viver junta?”, pergunta o coordenador da Comissão Diocesana para o Diálogo Inter-Religioso e para as Relações Ecuménicas de Angra, no programa Igreja Açores na rádio, este domingo.
A ‘Charta Oecumenica 2025’ para a Europa foi assinada em Roma (Itália) a 5 de novembro de 2025 pela Conferência das Igrejas Europeias (CEC) e o Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE); o documento orientador da cooperação ecuménica entre as Igrejas cristãs europeias ganhou nova redação por ocasião do 1700.º aniversário do primeiro concílio ecuménico da história, em Niceia (325), atual Turquia, celebrado em 2025.
CB/OC
| O ecumenismo é o conjunto de iniciativas e atividades tendentes a favorecer o regresso à unidade dos cristãos, quebrada no passado por cismas e ruturas.O ‘oitavário pela unidade da Igreja’, hoje com outra denominação, começou a ser celebrado em 1908, por iniciativa do norte-americano Paul Wattson, presbítero anglicano que mais tarde se converteu ao catolicismo.
As principais divisões entre as Igrejas cristãs ocorreram no século V, depois dos Concílios de Éfeso e de Calcedónia (Igreja copta, do Egito, entre outras); no século XI com a cisão entre o Ocidente e o Oriente (Igrejas Ortodoxas); no século XVI, com a Reforma Protestante e, posteriormente, a separação da Igreja de Inglaterra (Anglicana). |


