Ecumenismo: D. Jorge Pina Cabral realça «sinais poderosos» da viagem do Papa

Presidente do COPIC define defesa dos migrantes como «imperativo» para responsáveis cristãos

Foto: João Malheiro/RR

Porto, 30 nov 2025 (Ecclesia) – O presidente do Conselho Português de Igrejas Cristãs (COPIC) afirmou que a viagem do Papa Leão XIV à Turquia e ao Líbano deixa “sinais poderosos” para o diálogo ecuménico e defendeu que o acolhimento de migrantes é um “imperativo” para os cristãos.

“Esta ida do Papa ao Oriente permite, de certo modo, que os dois pulmões da Igreja de Cristo, o pulmão ocidental e o pulmão oriental, se reúnam e estreitem também os seus laços”, referiu o bispo da Igreja Lusitana (Comunhão Anglicana), sublinhando a importância do Credo de Niceia como base da identidade cristã.

Em entrevista conjunta à Renascença e à Agência ECCLESIA, no dia em que o Papa chega a Beirute, D. Jorge Pina Cabral analisou o alcance da visita à Turquia, onde se celebraram os 1700 anos do Concílio de Niceia.

Sobre a etapa no Líbano, que se inicia esta tarde, o responsável destacou o simbolismo da oração no Porto de Beirute, local da explosão de há cinco anos, considerando que a presença dos líderes religiosos abre canais que a política tradicional não consegue.

“São sinais muito poderosos que vão até para além daquilo que são os tradicionais canais de diplomacia, porque a paz cristã visa, efetivamente, a reconciliação”, sustentou.

O presidente do COPIC evocou o testemunho dos cristãos em Gaza, partilhando uma mensagem recebida de membros da comunidade local: “Não estejam preocupados connosco porque Deus está connosco, o que nós questionamos é onde está a humanidade”.

D. Jorge Pina Cabral anunciou que a Conferência Episcopal Portuguesa e o COPIC vão lançar em janeiro de 2026a edição portuguesa da nova “Carta Ecuménica”, assumindo um compromisso conjunto na defesa dos migrantes.

“Tornou-se um imperativo em Portugal a defesa das comunidades migrantes? Claro que sim”, declarou o bispo anglicano, criticando as vozes que procuram “ostracizar” quem é diferente.

Para o responsável, as Igrejas devem unir-se para “acolher o migrante e acolher também tudo aquilo que os migrantes podem dar”, vendo em cada pessoa a dignidade de Jesus Cristo.

No campo ecológico, o presidente do COPIC destacou a ferramenta “Eco-Igrejas Portugal” como um instrumento prático de ecumenismo e sustentabilidade, lamentando que os resultados da COP30 tenham ficado “aquém dos esperados” na eliminação dos combustíveis fósseis.

D. Jorge Pina Cabral elogiou ainda a dinâmica ecuménica no Porto e o “reavivamento” verificado na Grande Lisboa, apontando o caminho da “unidade na diversidade”.

Henrique Cunha (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)

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