Ecologia: Papa convida a celebrar Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação

Iniciativa marca início do «Tempo da criação», que envolve milhões de cristãos em iniciativas de oração e de ação, até 4 de outubro

Foto: Agência ECCLESIA/OC

Cidade do Vaticano, 31 ago 2025 (Ecclesia) – O Papa associou-se hoje à celebração ecuménica e ecológica do ‘Tempo da Criação’, iniciativa anual que milhões de cristãos em momentos de oração e de ação em defesa do ambiente, entre 1 de setembro e 4 de outubro.

“Amanhã, 1 de setembro, é o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. Há dez anos, o Papa Francisco, em sintonia com o patriarca ecuménico Bartolomeu I, instituiu esse dia para a Igreja Católica. Ele é mais importante e urgente do que nunca, e este ano tem como tema ‘Sementes de Paz e Esperança’”, referiu Leão XIV, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação do ângelus.

A iniciativa encerra-se simbolicamente a 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis.

“No espírito do Cântico do Irmão Sol, composto por ele há 800 anos, louvamos Deus e renovamos o compromisso de não destruir o seu dom, mas de cuidar da nossa casa comum”, concluiu o Papa.

O Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, da Santa Sé, refere que “consciente da importância da ecologia humana integral, viver o Tempo da Criação é uma oportunidade de unir-se aos muitos esforços de cristãos e pessoas de boa vontade em todo o mundo que trabalham pela conversão ecológica”.

A iniciativa anual é promovida e apoiada por várias entidades, incluindo o Movimento ‘Laudato Si’, o Conselho Mundial de Igrejas, a Federação Luterana Mundial e a Comunhão Anglicana.

Em julho, Leão XIV publicou a sua primeira mensagem para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, alertando para o impacto das alterações climáticas, em particular sobre os mais pobres.

“Em várias partes do mundo, já é evidente que a nossa terra está a cair na ruína. Por todo o lado, a injustiça, a violação do direito internacional e dos direitos dos povos, a desigualdade e a ganância provocam o desflorestamento, a poluição, a perda de biodiversidade. Os fenómenos naturais extremos, causados pelas alterações climáticas provocadas pelo homem, estão a aumentar de intensidade e frequência, sem ter em conta os efeitos, a médio e longo prazo, de devastação humana e ecológica provocada pelos conflitos armados”, escreve.

“Parece ainda haver uma falta de consciência de que a destruição da natureza não afeta todos da mesma forma: espezinhar a justiça e a paz significa atingir principalmente os mais pobres, os marginalizados, os excluídos. A este respeito, o sofrimento das comunidades indígenas é emblemático”, acrescenta.

Leão XIV denuncia que a natureza se torna, “por vezes”, um instrumento de troca, “uma mercadoria a negociar para obter ganhos económicos ou políticos”, e, nessas dinâmicas, “a criação transforma-se num campo de batalha pelo controlo dos recursos vitais”, como testemunham as zonas agrícolas e as florestas, “perigosas por causa das minas, a política da ‘terra queimada’”, os conflitos nas fontes de água, “a distribuição desigual das matérias-primas”.

Segundo o Papa, a justiça ambiental – “implicitamente anunciada pelos profetas” – “já não pode ser considerada um conceito abstrato ou um objetivo distante”, mas representa uma necessidade urgente que “ultrapassa a mera proteção do ambiente”, é verdadeiramente uma questão de justiça social, económica e antropológica.

Para os que creem em Deus, além disso, é uma exigência teológica, que para os cristãos tem o rosto de Jesus Cristo, em quem tudo foi criado e redimido. Num mundo onde os mais frágeis são os primeiros a sofrer os efeitos devastadores das alterações climáticas, do desflorestamento e da poluição, cuidar da criação torna-se uma questão de fé e de humanidade.”

‘Sementes de Paz e Esperança’, é o tema do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação 2025 e foi ainda escolhido pelo Papa Francisco; Leão XIV acrescenta que “adquire todo o seu significado”, no contexto do Ano Santo, o Jubileu ‘peregrinos de Esperança’.

Para o Papa chegou verdadeiramente o tempo de “dar seguimento às palavras com obras concretas”, trabalhar com dedicação e ternura, “muitas sementes de justiça podem germinar, contribuindo para a paz e a esperança”, e das iniciativas da Igreja, que são como sementes, destaca o projeto ‘Borgo Laudato si’, que o Papa Francisco deixou como “herança” em Castel Gandolfo, “uma semente que pode dar frutos de justiça e paz”.

Leão XIV lembra que Jesus, na sua pregação, usa com frequência a imagem da semente para falar do Reino de Deus, “na véspera da Paixão, aplica-a a Si mesmo”, e explica que a semente se entrega “inteiramente à terra e, com a força impetuosa do seu dom, a vida germina, mesmo nos lugares mais inesperados”, como as flores que crescem à beira da estrada, que “conseguem decorar o cinzento do asfalto e penetrar na sua dura superfície”.

CB/OC

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