Alerta o presidente da Cáritas Portuguesa após a divulgação de que 320 mil crianças portuguesas vivem na pobreza A questão da pobreza não está relacionada com a inexistência de recursos mas “a injusta redistribuição de tudo o que produzimos” – disse à Agência ECCLESIA Eugénio da Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa. Actualmente, produz-se “mais do que há anos atrás”. O aumento da pobreza “é o paradoxo deste desenvolvimento que teimamos em fazer” – referiu o presidente da Cáritas Portuguesa, depois da divulgação dos dados da UNICEF que apontam para cerca de 320 mil crianças que vivem na pobreza em Portugal. O desenvolvimento está muito assente no crescimento económico e “não cuida da repartição dos bens”. Os dados divulgados pela UNICEF “são preocupantes”. E realça: “há grupos mais vulneráveis como são as crianças e os idosos”. Como solução para esta «tragédia», Eugénio da Fonseca aponta “a revisão do modelo de desenvolvimento”. Sem esta revisão “o fosso entre ricos e pobres continua a aumentar”. O mundo está “muito desequilibrado” mas “é possível fazer de outra maneira”. Com este número referido pela UNICEF, “estamos a fazer com que estas crianças, amanhã, sejam indivíduos de costas voltadas para a sociedade”. E conclui: “o que está a acontecer é um crime em termos sociais”.
