Um grito de alerta e de revolta “contra”, foi dado em Lisboa pelo Arcebispo ugandês Jonh-Baptist Odana, no decorrer do colóquio “A África e a União Europeia, parceiros na solidariedade”. “É preciso dar voz aos que não têm voz: os rebeldes do Exército de resistência do Senhor têm causado, ao longo de 17 anos, um sofrimento que se tem mantido ignorado pelo mundo. Mas todos têm de saber que a situação actual é insuportável!”, exclamou o Arcebispo de Gulu. Na presença de vários jornalistas nacionais e estrangeiros, o Arcebispo Odana revelou que em 3 distritos do Norte do seu país – Gulu, Pader e Katgum – 800.000 pessoas se encontram deslocadas, o que representa mais de 75% da população local. “As pessoas não têm comida, nem medicamentos, nem abrigo. A comunicação social não tem dado cobertura a esta tragédia, mas a ocasião presente permite-me chamar a atenção para o sofrimento do meu povo”, explicou D. Odana. O governo do Suão é acusado de dar apoio militar aos rebeldes, mas o Arcebispo Odana não esquece que o seu próprio governo pouco tem feito para tentar encontrar uma solução pacífica. A Igreja do Uganda defende o caminho diplomático e garante que “já asseguramos a presença de um observador da União Europeia, se as partes estiverem interessadas em negociar”. A situação actual requer ajuda também no plano material, mormente “comida e medicamentos”, referiu D. Odana, que espera da EU uma “verdadeira solidariedade”, que é o tema do colóquio de Lisboa. O Arcebispo ugandês adianta que em Abril já não deverá haver ajuda humanitária suficiente para dar resposta às carências dos 800.000 refugiados que a Igreja tem ajudado a instalar, nas suas missões.
