“O Nono Dia” é um filme cuja história se entrelaça com a da OCIC (antiga Organização católica internacional de cinema) e da SIGNIS (actual Associação católica mundial para a comunicação), baseando-se nas memórias do Pe. Jean Bernard, escritas no final da II Guerra Mundial. Nessa altura, o Pe. Bernard era secretário-geral da OCIC, em Bruxelas, e a sede da Organização fora ocupada pelos alemães. Durante os anos de guerra, o regime Nazi atacou a OCIC porque as suas críticas não louvavam os filmes de propaganda que a máquina de Hitler lançava constantemente. Jean Bernard tinha regressado ao Luxemburgo, sua terra natal, mas foi preso na fronteira francesa e enviado para Dachau. Os nove dias que dão o mote à história do filme têm a ver com uma licença dada a Jean Bernard, em Janeiro de 1942. O antigo secretário-geral da OCIC nunca falou dessa saída, mas o realizador alemão Volker Schloendorff gera uma trama verosímil: um oficial das SS manda à personagem principal do filme que visite um arcebispo que se recusa a cooperar com o regime para tentar persuadi-lo a apoiar os ocupantes. Se Benard não voltasse até ao nono dia depois da sua saída, os padres presos em Dachau seriam executados… O filme apresenta as principais questões da guerra na Europa: a supremacia ariana, o Holocausto, a resistência, torturas e execuções, o papel da religião e da Igreja católica. A estreia da obra gerou uma onda de reconhecimento e admiração pelos actos heróicos de Jean Bernard. O próprio Volker Schloendorff presta-lhe homenagem, considerando-o “um modelo do verdadeiro compromisso sacerdotal”. Em Fevereiro de 2005, o filme foi seleccionado para a competição internacional no Festival de Fajr em Teerão, Irão. O júri internacional incluía pessoas de várias religiões em representação do Irão, Turquia, Turquemenistão, Rússia, Líbano e os EUA. “O Nono Dia” foi consagrado como melhor Filme e recebeu prémios para melhor realizador e melhor actor.
