Dois sacerdotes católicos chineses detidos por darem entrevista

Dois padres da Igreja católica chinesa na clandestinidade foram detidos, revelou a agência do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras, AsiaNews. Os dois sacerdotes deram, alegadamente, uma entrevista a um jornalista estrangeiro. A AsiaNews noticiou sexta-feira que Shao Zhumin e Paul Jiang Sunian, da Igreja “clandestina” em Wenzhou, na costa sudeste da China, foram detidos quinta-feira depois de terem celebrado missa. A notícia afirma que as detenções são raras porque a situação dos padres católicos na clandestinidade em Wenzhou tem estado “calma” já há algum tempo. O semanário italiano Espresso publicou um artigo de duas páginas no qual afirma ter entrevistado os dois padres, bem como um terceiro, e que eles “corriam o risco de ser presos” por falar com um jornalista estrangeiro. O artigo afirma que dois dias depois da entrevista ter sido realizada, a polícia chinesa seguiu o repórter e levou a sua intérprete para a esquadra. Embora o Partido Comunista Chinês se declare oficialmente ateu, a Constituição chinesa permite a existência de cinco Igrejas oficiais (Associações Patrióticas), entre elas a Católica, que tem 5,2 milhões de fiéis. Segundo fontes do Vaticano, a Igreja Católica “clandestina” conta mais de 8 milhões de fiéis, que são obrigados a celebrar missas em segredo, nas suas casas, sob o risco de serem presos. Vários contactos informais têm sido desenvolvidos desde que Bento XVI sucedeu a João Paulo II, fazendo do estabelecimento de relações diplomáticas com a China uma das suas prioridades. A Associação Patriótica Católica, contudo, vê esses novos elementos de diálogo entre a China e o Vaticano como um perigo para a organização.

Partilhar:
Scroll to Top