Dois em cada dez portugueses em risco de pobreza

O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza, Pe. Agostinho Jardim, analisa este relatório “Estes últimos governos não passaram do discurso à prática. Falam muito da acção social mas nem para o diálogo estão abertos” – denuncia o Pe. Agostinho Jardim, presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza, a propósito do relatório da agência Habitat, das Nações Unidas, onde aponta que a pobreza ameaça 22% da população portuguesa (dados relativos ao período entre 1996 e 2000). O estudo refere que dois em cada 10 portugueses estão em “risco de pobreza” ou sobrevivem com menos de 60 por cento da média nacional de rendimentos. “Já tínhamos consciência que os números eram estes”. E aponta as causas: “desemprego a subir, idosos a aumentar, imigrantes a entrar, a escola no estado em que está e a Saúde com dificuldades” – adianta o Pe. Agostinho Jardim. O estudo, que avalia o estado das cidades do planeta, coloca a população portuguesa em segundo lugar – entre os antigos 15 membros da União Europeia e apenas atrás da Grécia – nos níveis de pobreza europeus. Uma situação “negra” que leva o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza a sublinhar: “não é nos gabinetes nem com leis que se faz nada. É preciso que o dinheiro não se sobreponha à pessoa humana. Neste momento tudo está em função do lucro e do déficit e as pessoas estão a ficar para trás”. Portugal surge ainda referenciado no que toca ao número de sem-abrigo, com o documento a referir, citando dados oficiais, que em 2000 havia 1.300 pessoas a viver nas ruas de Lisboa e cerca de um milhar nas do Porto. Independentemente disso, o relatório da Habitat, indica que o número dos sem-abrigo na Europa Ocidental chegou hoje ao seu valor mais elevado em 50 anos: estima-se que mais de três milhões de pessoas vivem na rua nas principais cidades europeias. O relatório refere ser impossível uma comparação internacional neste domínio, dadas as “variáveis definições nacionais” aplicadas para determinar quem é um sem-abrigo. “É necessário praticar os compromissos assumidos a nível nacional. Apostar na promoção da justiça e não na lógica do voto” – disse o Pe. Agostinho Jardim. A pobreza tem aliás “aumentando dramaticamente” em toda a UE durante as últimas três décadas, refere o estudo, o que se evidencia especialmente a nível infantil, com o desemprego a manter-se em níveis praticamente imutáveis nos últimos 15 anos. Dados que merecem reflexão e – segundo o Pe. Agostinho Jardim – “um comunicado para divulgar os números”. O relatório revela ainda que, nos próximos 25 anos, mais de metade da população vai viver em cidades.

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