O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, considera que o ensino privado não tem de ser apenas “tolerado” pelo Estado, mas “deve estar ao mesmo plano, desde o legal aos apoios, do ensino público, para responder ao direito democrático de escolher”. No mesmo sentido se manifesta Jorge Cotovio, da Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC), para quem “o Estado ainda não compreendeu – apesar dos péssimos resultados educacionais que apresentamos – que não tem de ser o ‘grande e exclusivo educador’ dos nossos filhos”. Estado, governantes, políticos, sindicatos, devem, segundo este responsável “deixar os pais escolher, em liberdade, as escolas dos seus filhos”. Jorge Cotovio assinala que as escolas católicas são, por essência, “abertas a todos e estar em toda a parte, privilegiando os mais débeis”, mas ressalta que elas se encontram perante a ameaça de voltarem a ser elitistas. “O Estado deve financiar de igual forma todas as escolas estatais e as privadas que queiram ser públicas, isto é abertas a todos os que a procuram (tal como sucede na maioria dos países desenvolvidos). As escolas católicas, por natureza, são tão públicas como qualquer escola estatal”, refere à Agência ECCLESIA. “O ensino privado não tem de ser todo universal: as escolas privadas que queiram seleccionar os alunos (e têm direito a isso), não têm de ser financiadas pelo Estado; são os pais que devem pagar esse ensino”, acrescenta. Para este responsável, o Estado tem estado a asfixiar as escolas privadas que têm tido ensino gratuito e pretende acabar mesmo, a curto prazo, com o ensino gratuito nos colégios das cidades do Centro do País. “Neste contexto, o que é que restará a estas escolas? Se quiserem continuar a sua missão de educar, terão de cobrar propinas aos alunos, mas com esta solução, nem todos os pais poderão ter acesso aos seus serviços”, explica. Em relação à imagem que a opinião pública tem do ensino privado, Jorge Cotovio considera que esta é “profundamente deformada”, mesmo em relação às escolas católicas. “A maior parte dos católicos não conseguem entender esta realidade: grande parte deles julga que as escolas católicas são elitistas e têm a ambição do lucro, do dinheiro”, lamenta.
