Diplomacia: Ordem mundial baseada na lei da força «é uma irresponsabilidade enorme», afirma novo núncio apostólico

Em entrevista à Agência ECCLESIA, D. Andrés Carracosa Coso alerta para os riscos da democracia na atualidade, garante que o Papa «vai vir» a Portugal e diz que as consultas que promove no processo de nomeação de novos bispos são «mais do dobro»

Foto Agência ECCLESIA/MC

Lisboa, 07 fev 2026 (Ecclesia) – O núncio apostólico em Portugal disse em declarações à Agência ECCLESIA que “quer conhecer” o país onde é representante do Papa, referiu-se a consultas alargadas nas nomeações episcopais e afirmou que a lei da força «é uma irresponsabilidade enorme».

Para D. Andrés Carracosa Coso, o risco da ordem mundial baseada na lei do mais forte “está aos olhos de todo o mundo” e não contrariar as ofensivas de grandes potencias “é uma irresponsabilidade enorme”.

Foto Agência ECCLESIA/MC

“Acho que é um momento de caminhar com muita prudência, mas também com muita clareza”, afirmou o novo núncio apostólico em Portugal, destacando as declarações do Papa Leão XIV, que “não fica calado, que diz as coisas com um enorme respeito, sem faltar à caridade, mas também sem faltar a verdade”.

D. Andrés Carrascosa Coso foi nomeado pelo Papa Leão XIV núncio apostólico em Portugal no dia 11 de dezembro de 2025 e chegou a Lisboa na última terça-feira.

Na entrevista à Agência ECCLESIA, o arcebispo espanhol disse que a comunidade internacional vive “um momento muito intenso”, que “apela a uma grande responsabilidade de parte das pessoas que têm um poder”, onde o regime democrático “é um desafio enorme”.

O núncio apostólico em Portugal referiu-se ao enfraquecimento do projeto europeu, que tem na sua origem a decisão de “respeitar a democracia interna”, o que “é um risco porque outros atores não têm democracia”.

“A nível mundial, o que queremos? É preciso escutar cada um. O grande e o pequeno. Isso, numa visão de força, é absurdo. Mas, no fundo, qual a humanidade que queremos?”.

Foto Agência ECCLESIA/MC

D. Andrés Carrascosa foi até agora núncio apostólico no Equador, desde 2017, depois de ter sido embaixador da Santa Sé no Panamá, entre 2009 e 2017, e na República do Congo e no Gabão, entre 2004 e 2009.

“Na diplomacia pontifícia, temos uma caraterística: não escolhemos entrar. Somos chamados”, disse o arcebispo natural de Cuenca, em Espanha, referindo que “queria ser pároco, rural, estar em contacto com as pessoas”, mas teve de ir estudar Bíblia.

“O meu bispo enviou-me a estudar Bíblia. Já estudar não queria, menos ainda Bíblia, porque precisava de estudar grego e hebraico”.

Ordenado padre aos 24 anos, foi chamado para a diplomacia do Vaticano, onde começou a colaborar na Libéria, tendo passado pela Europa, Américas, pela Secretaria de Estado e as Nações Unidas.

O novo núncio apostólico em Portugal deseja conhecer a realidade portuguesa, para “depois poder interagir, caminhar junto com esta Igreja, com este país”.

“Acho que é preciso entrar com uma atitude de humildade. Não pode chegar a um país e pretender que já pode conhecer e falar.  Proximidade significa essa humildade de se colocar à escutar das pessoas, das situações, das culturas”.

Na entrevista à Agência ECCLESIA, D. Andrés Carrascosa referiu-se ao processo de nomeação dos bispos, garantindo que tem por hábito, nos últimos 22 anos, promover consultas a “mais do dobro”, das pessoas, a “alguns bispos, alguns padres, alguns religiosos, algumas religiosas, alguns leigos, algumas leigas”, porque “Povo de Deus são todos”.

Foto Agência ECCLESIA/MC

“Também pessoas que pensam diferente umas das outras. Porque é inútil consultar somente pessoas que pensam de um jeito”, acrescentou.

O novo núncio apostólico em Portugal promete promover a proximidade com todos os territórios nacionais, a começar pelos mais atingidos pelas tempestades, que vai visitar na terça-feira, um dia depois de apresentar as Cartas Credenciais ao presidente da República.

D. Andrés Carrascosa valoriza as redes sociais, onde está presente há cerca de 25 anos, primeiro sem acreditar nas suas potencialidades e agora como forma de criar “proximidade” e de evangelização, apesar de já ter sido enganado por informações falsas.

Na entrevista à Agência ECCLESIA, que vai ser emitida este domingo no programa 70×7, na RTP2, pelas 15h25, D. Andrés Carrascosa garantiu que o Papa “vai vir” a Portugal, o que depende de “tantas coisas da agenda papal, que não é fácil”.

PR

Portugal/Presidenciais: Novo núncio apostólico afirma que o risco da abstenção «é grande» no mundo «sempre mais polarizado»

Partilhar:
Scroll to Top