Diocese do Funchal em festa pela beatificação do «Rei Santo»

O Imperador Carlos de Áustria, ontem beatificado pelo Papa, pode ser uma figura polémica na sua terra natal, dividindo opiniões, mas para os madeirenses – que ainda em vida já o chamavam “o rei santo”, – ele é o “homem da paz” que João Paulo II destacou na sua homilia. O Bispo do Funchal, D. Teodoro de Faria, presente no Vaticano para a cerimónia de beatificação, considera que “os santos têm sempre influência na pastoral duma diocese, de acordo com o seu carisma especial.” Falando ao Jornal da Madeira sobre a vida do novo beato, D. Teodoro de Faria descreve-o como “o grande construtor da paz, no fim da primeira Grande Guerra. Lutou por isso e, como diz o texto da Congregação, de todos os chefes de estado nessa ocasião, foi ele que atendeu melhor o pedido do Papa por esta paz, e que se sacrificou por ela até ser exilado.” O prelado não vê contra-senso no facto deste “homem pacífico” tenha sido um militar em toda a sua vida. “Foi um homem que viu no seu serviço militar uma forma de servir o seu povo e o Império. Não uma forma de honra, mas uma forma de serviço. E durante o tempo que durou a guerra, foi um homem que olhou para todos os militares, quaisquer que eles fossem, como irmãos”, assegura. O exemplo de Carlos de Áustria, segundo o bispo do Funchal, estende-se ainda ao campo da vida espiritual. “Foi um homem da Eucaristia, da adoração. Foi um grande devoto do Coração de Jesus, o sinal do amor. E ele procurou amar no meio dos sofrimentos, perdoando aos seus inimigos que o destruíram toda a sua vida e o seu Império, procurando ver em tudo isto a vontade de Deus”, revela. Sobre a presença do túmulo do Imperador na Madeira, a família já garantiu que este ficará no Monte. O presidente do Governo Regional disse ontem, em Roma, que o corpo do imperador deverá ficar na Madeira. A garantia terá sido dada a Alberto João Jardim por Otto Habsburgo, chefe da casa dos Habsburgo, que se deslocou ao Vaticano para participar na cerimónia de beatificação. No grupo de cerca cem madeirenses que hoje participa em Roma, na cerimónia de beatificação do Imperador Carlos de Áustria, está a senhora Maria de Freitas, uma das poucas pessoas ainda vivas que o conheceu. Com 93 anos de idade, esta memória viva do Imperador reconheceu ao Jornal da Madeira que “nunca esperava poder ter a graça de participar na cerimónia da beatificação do santo rei, como chamávamos ao Imperador Carlos de Áustria”. Considerando que esta beatificação é muito justa, a senhora Maria de Feitas recorda que “Carlos de Áustria foi um homem muito bondoso. Ele afagava muito as crianças, e dava-se muito bem com todos, era afável e alegre. Toda a gente tinha admiração por ele, porque via que era uma pessoa educada e com muita caridade”. Ainda se lembra de pormenores do funeral do Imperador Carlos, “que foi acompanhado de muita gente, com muitas coroas de flores e de muitas fitas, que depois foram deixadas junto do túmulo”.

Partilhar:
Scroll to Top