Diocese de Leiria reclama museu para guardar peças de arte sacra

Milhares de peças de arte sacra aguardam, em Leiria, por um espaço de exposição no futuro museu diocesano, uma reivindicação antiga da Diocese e da Câmara Municipal, mas a que o Estado tarda em dar resposta. «Já temos o espólio e temos condições para o valorizar. Falta apenas que o Estado liberte um edifício que já foi da Igreja», afirmou à Agência Lusa o padre Armindo Janeiro, director do Centro de Formação e Cultura da Diocese de Leiria-Fátima. «Temos quatro mil fichas de património já preenchidas, mas precisamos de um sítio onde instalar o museu», explicou o sacerdote, salientando que a Diocese e a Câmara estão a negociar há vários anos a compra do antigo seminário diocesano. Actualmente, o Museu de Arte Sacra da Diocese de Leiria-Fátima ocupa duas salas no actual Seminário, num núcleo permanente, mas Armindo Janeiro gostaria de assegurar a transferência do espólio antes de 2008, data em que a Diocese comemora 90 anos sobre a sua restauração. Nos últimos anos, o Centro de Formação e Cultura da Diocese de Leiria-Fátima catalogou cerca de quatro mil fichas de peças de arte, a maior parte com condições para divulgação museológica. «Não é possível que cada paróquia tenha o seu museu. É necessário coerência, um espaço pedagógico e um centro para expor as peças com dignidade», afirmou Armindo Janeiro, salientando que muitas das peças catalogadas são estatuária e cerâmica diversa, já que a maior parte das obras de pintura estão na posse da Câmara, que procedeu à sua restauração. As peças reunidas no actual núcleo museológico foram recuperadas por sacerdotes e seminaristas num projecto que teve como principal impulsionador D. Pinho Brandão, bispo auxiliar de Leiria na década de 60 e 70. Nos últimos anos, os vários assaltos às igrejas e capelas de menor dimensão levaram os párocos a confiarem à guarda da Diocese as peças de arte mais valiosas dos seus templos, o que aumentou o espólio catalogado e registado pela Comissão Diocesana dos Bens Culturais. Peças de azulejo e de cerâmica dos séculos XIV e XV, bem como estátuas de santos e valiosos pratos de Nuremberga são algumas obras que estão expostas em duas pequenas salas do Seminário de Leiria, espaços que o padre Armindo Janeiro considera mais «armazéns de arte» do que um museu. «Isto está quase tudo empilhado, porque não há espaço nem condições para expor este espólio de outra forma», afirmou, salientando que o núcleo só pode ser visitado através de marcação prévia. No espólio, constam ainda muitas peças e quadros em azulejo que pertenciam a igrejas antigas ou restauradas. «Tínhamos azulejos em caixas e depois tivemos o trabalho de fazer puzzles para tentar encontrar o desenho original», disse o clérigo, enquanto apontava para um quadro exposto num dos corredores do Seminário Diocesano. No seu entender, o futuro museu tem de ser «um espaço dinâmico», com uma colecção fixa e várias exposições temporárias de outros locais da região, tal como o Santuário de Fátima ou de outras dioceses. Apesar do elevado número de peças, o espólio poderia ser ainda mais rico se a Diocese não tivesse sido alvo de vários roubos durante as Invasões Francesas, no século XIX, explicou o padre Armindo Janeiro. «Perdemos muito porque os franceses levaram-nos muita coisa, principalmente das nossas igrejas maiores», afirmou, apontando o caso de um dos principais retábulos da Sé Catedral de Leiria. O projecto é também acarinhado pelo Bispo de Leiria-Fátima, D. Serafim Ferreira e Silva, que defende que a sede da Diocese tem de conseguir «conquistar e cativar alguns dos turistas que vão todos os dias ao Santuário Mariano de Fátima».

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