Diálogo Inter-religioso: Religiões têm «um papel incontornável» na paz entre os povos, afirma padre Adelino Ascenso

Sacerdote salienta que «há muitos pontos» do Documento sobre a Fraternidade Humana que devem «ser passados à prática»

Foto: Agência ECCLESIA

Lisboa, 21 jan 2026 (Ecclesia) – O diretor da subcomissão para o Diálogo Inter-religioso, da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), destacou o “papel incontornável” das religiões na paz, e vai realizar um encontro sobre o ‘Documento sobre a Fraternidade Humana’, dia 3 de fevereiro, em Coimbra.

“As religiões têm que representar um papel incontornável no que diz respeito à paz entre os povos, mas talvez seja bom nós escavarmos e começarmos a construir a paz, mesmo, e daí a fraternidade humana, mesmo na dimensão prévia à nomenclatura religiosa”, disse o padre Adelino Ascenso, hoje, em entrevista à Agência ECCLESIA.

O diretor da subcomissão para o Diálogo Inter-religioso (SCDIR) da CEP acrescenta que, ultimamente, tem “refletido muito” na frase ‘Deus só pode ser o nosso Deus se ele pode ser também o Deus de todos os outros’, do “grande teólogo” [católico alemão] Johann Baptist Metz, que “tem muito a ver com esta carta, tem muito a ver com a fraternidade humana” e com esse papel das religiões.

“Nós estamos a assistir a um mundo onde impera a barbárie, onde impera a injustiça, a desumanização, a lei do mais forte, por isso é necessário que nós vamos em contracorrente, que nós vamos, poderá dizer-se, em contramão, porque, de facto, as notícias que nos chegam, que nos abalroam a cada momento, podem levar-nos a cairmos, resvalarmos para o abismo da indiferença. Isso seria terrível”, desenvolveu.

A Declaração sobre a Fraternidade Humana foi assinada pelo Papa Francisco e pelo grande imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, a 4 de fevereiro de 2019, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e, passados sete anos, o padre Adelino Ascenso realça que “é atualíssima”, porque a sociedade está a viver “tudo o que aparece na carta”.

“Temos de ir além do nosso quintal, romper muitas barreiras, muitos limites, por vezes até fazer com que haja uma trepidação das nossas próprias instituições, da nossa própria fé, porque se a nossa fé sofrer uma trepidação, cairão folhas secas e haverá novos perguntas. Vamos ter sempre surpresas agradáveis, porque o Espírito é surpreendente”, acrescentou.

A Subcomissão para o Diálogo Inter-Religioso, da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização da CEP, vai assinalar este 7º aniversário da assinatura do ‘Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da Paz Mundial e da Convivência Comum’, no dia 3 de fevereiro, das 15h00 às 18h00, no Convento de São Francisco, em Coimbra.

“Promovemos esta tarde, naturalmente, por considerarmos que o documento é muito atual, muito importante, e que há muitos pontos no documento que devem ser passados à prática. Isto é, apelar a que haja um alento que nos leve precisamente a pormos esses pontos em prática, a realizarmos aquilo que está expresso na carta”, explicou o padre Adelino Ascenso, missionário da Boa Nova.

O programa da SCDIR propõe “três horas de estudo, de reflexão de conferências e comentário”, com o patriarca Latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, por videoconferência “a partir de Jerusalém”, e presencialmente o “muçulmano Adnane Mokrani, que virá de Roma, é professor de Estudos Islâmicos na Universidade Gregoriana”, e a professora Isabel Capeloa Gil, a reitora da universidade Católica Portuguesa.

Às conferências segue-se o comentário do juiz desembargador Pedro Vaz Patto, o presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), organismo laical da Igreja Católica em Portugal; o encontro acerca da importância do Documento sobre a Fraternidade Humana “é aberto a todos, a participação é gratuita”, mas a SCDIR pede aos interessados que se inscrevam, através de um formulário online.

O padre Adelino Ascenso sublinhou ainda que espera que esta reflexão “seja, de facto, um alento para quem participa”, no Programa ECCLESIA, desta quarta-feira, na RTP2.

Na sequência deste documento, conhecido também como a Declaração de Abu Dhabi, a Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU) proclamou o Dia Internacional da Fraternidade Humana, assinalado a 4 de fevereiro.

PR/CB/OC

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