Dia Mundial do Doente: Bispo do Funchal convida à proximidade que «é o dinamismo do amor»

D. Nuno Brás assinala que «amar é uma decisão, muito mais que um sentimento, que um momento fugaz de prazer»

Foto Duarte Gomes, Jornal da Madeira, Arquivo

Funchal, Madeira, 11 fev 2026 (Ecclesia) – O bispo do Funchal destacou hoje a “atitude de proximidade de Maria” – dos noivos, do “próprio Senhor”, e de todos – que “não é voluntarismo”, mas “antes o dinamismo do amor”, na celebração diocesana do Dia Mundial do Doente.

“Neste dia em que o Papa Leão nos convida a uma atitude de proximidade para com os doentes, não podemos deixar de contemplar a atitude de proximidade de Maria. Ela faz-se próxima seja com os noivos e demais convidados à festa, seja com a Jesus, seja com cada um de nós, os cristãos para quem João, o discípulo amado, escreveu a narração destes sinais que Jesus realizou”, disse D. Nuno Brás, na homilia do Dia Mundial do Doente 2026, enviada à Agência ECCLESIA.

O bispo do Funchal, na capela do Centro de Reabilitação Psicopedagógica da Sagrada Família das Irmãs Hospitaleiras, a partir do relato das Bodas de Caná explicou que Maria “é próxima de todos”, sem a qual não se teria a narração deste milagre, “e de tudo quanto ele nos diz acerca da nova Aliança, do vinho novo, da envolvência como discípulos na Páscoa do Senhor”.

“Esta proximidade — que é, afinal, espelho e presença da proximidade do Senhor Jesus, como fica bem manifesto na parábola do Bom Samaritano (Lc 10,25-37), que o Papa Leão toma como ponto de partida para a sua mensagem do Dia Mundial do Doente — esta proximidade não se contenta, de facto, em procurar aquele que me é próximo, mas preocupa-se antes sobre o como me posso eu fazer próximo de alguém que necessita da minha ajuda”, desenvolveu.

“Esta proximidade não é voluntarismo. É antes o dinamismo do amor.” – D. Nuno Brás

Leão XIV, na sua primeira mensagem para o Dia Mundial do Doente, escreve que “ser próximo não depende da proximidade física ou social, mas da decisão de amar”, a partir desta citação o bispo do Funchal salientou que “amar é uma decisão, muito mais que um sentimento, que um momento fugaz de prazer ou uma longínqua perceção de felicidade passageira”.

“O sentimento, o prazer, a perceção dum momento de felicidade podem surgir como ocasião do amor; mas este, para ser verdadeiro, será sempre uma decisão. O amor é um querer bem ao outro — e essa atitude está para além daquilo que sinto, daquilo que acho, daquilo até que me convém”, explicou D. Nuno Brás.

“É uma decisão que me implica na minha relação com aquele de quem me torno próximo: uma decisão em que este último tem a primazia. De facto, o outro tem a primazia no amor: é ele, a sua realidade, qualquer que ela seja, que provoca naquele que ama a decisão de amar”, acrescentou o bispo do Funchal, na celebração que presidiu na capela do Centro de Reabilitação Psicopedagógica da Sagrada Família das Irmãs Hospitaleiras.

Este ano, o Dia Mundial do Doente tem como tema ‘A compaixão do Samaritano – Amar carregando a dor do outro’, título da mensagem do Papa para a 34ª edição desta celebração.

Leão XIV lamenta “a cultura do efémero, do imediato, da pressa, bem como do descarte e da indiferença”, no documento que foi publicada no dia 20 de janeiro, e convida a gestos de “proximidade e presença”, não como “meros gestos de filantropia”, mas como “sinais de participação pessoal nos sofrimentos do outro”.

O Papa concede “de coração” a bênção apostólica “a todos os doentes, às suas famílias e aos que cuidam deles”; também aos profissionais e agentes da pastoral da saúde e, “muito especialmente, aos que participam neste Dia Mundial do Doente”.

A Igreja Católica celebra anualmente o Dia Mundial do Doente, a 11 de fevereiro, na memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, uma data que foi instituída pelo Papa São João Paulo II, a 11 de fevereiro de 1992.

CB/

No contexto do Dia Mundial do Doente 2026, o diretor da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde da Igreja Católica em Portugal sugeriu que, neste dia 11 de fevereiro, se valorize nas eucaristias “a oração pelos doentes, profissionais de saúde e cuidadores”, juntamente com a distribuição da pagela nas capelanias hospitalares, nos lares, dos doentes em casa”, “como ainda está frio, e no pico da cadeia de transmissão da gripe”.

O padre José Pinheiro sugere também que se promova o Dia Diocesano da Saúde, no Domingo da Divina Misericórdia (Oitava da Páscoa), este a 12 de abril, e convidem “os doentes e as famílias” para receberem o Sacramento da Unção dos Doentes nas eucaristias, “valorizando este sacramento, tantas vezes esquecido, em ambiente de alegria e cura pascal”.

A Comissão da Pastoral da Saúde, da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), publicou a mensagem do Papa para o 34º Dia Mundial do Doente, o cartaz e a pagela com a oração, na sua página na internet.

Dia Mundial do Doente: Leão XIV pede gestos de presença e proximidade «desinteressada,» para combater «cultura do descarte e indiferença»

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