Presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal apela à participação dos cristãos nesta luta O Pe. Agostinho Jardim Moreira, presidente da direcção da Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal (REAPN), considera que os desequilíbrios sociais e económicos são um desafio incontornável para os cristãos nos dias de hoje. “Não podemos limitar a nossa acção como cristãos às cerimónias litúrgicas, abandonando o Cristo que está na rua”, afirma em declarações à Agência ECCLESIA. “Estamos num sistema liberal e capitalista, desenfreado e sem controlo, em que tudo se justifica pelo lucro e as pessoas são excluídas, marginalizadas e levadas à pobreza”, critica. Em relação à consciência das consequências políticas e sociais desta situação, o Pe. Agostinho Jardim constata que “algumas pessoas se começam a aperceber delas, mas ainda não são do domínio comum”. “A desigualdade que se vive em Portugal não é compatível com uma democracia sólida, sadia e adulta”, assinala. Também a situação na UE preocupa o responsável, que se interroga: “ se a Europa cria mais um milhão de pobres todos os anos, que futuro estamos a construir?”. O presidente do REAPN esteve esta semana em Lisboa para falar sobre o tema “Exclusão Social/Integração Humana”, tendo como ponto de partida a Carta Pastoral “Responsabilidade solidária pelo bem comum”. O colóquio, organizado pelo Centro de Reflexão Cristã, encerrou o ciclo “Sete Pecados Sociais – Sete Sinais de Esperança”. “Apetece-me dizer que também aqui os últimos serão os primeiros, até porque São Mateus nos diz que o nosso julgamento vai ser feito em função da atenção que demos aos nossos irmãos”, refere o sacerdote. “Temos de conjugar a opção pelos pobres com uma prática visível. Apesar de a Igreja em Portugal assegurar 80% da política social, às vezes esquecemo-nos de que a Caridade é um acto gratuito de partilha e serviço”, aponta. A REAPN representa em Portugal a European Anti-Poverty Network (EAPN) que é uma rede composta por 15 redes nacionais e 23 organizações europeias. É uma Instituição Particular de Solidariedade Social, de âmbito nacional, com constituição notarial em 17 de Dezembro de 1991, e reconhecida igualmente como Organização não governamental para o Desenvolvimento (ONGD).
